quinta-feira, 16 de outubro de 2014


Cheguei bem tarde ontem, depois da abertura da Mostra e capotei na cama. Tenho dormido super bem e acordado bem disposto para o trabalho. Me joguei numa trilha sonora que fazia um bom tempo que não escutava e fui tomar banho. Hoje é dia de se soltar.



No caminho para o metrô, aquelas coincidências necessárias para abrir bem o dia. Quando estava para atravessar a rua, ouço um assobio. Era Ciça, mexendo comigo. Nos abraçamos, cheios de viadagem. Foi proposital, lógico. Afinal estávamos em frente a uma unidade móvel policial. Ela me deu um beijinho no pescoço. Eu, de maneira afetada disse que tinha me dado tesão. Os policiais só observando os elementos. Quase perguntei a eles se queriam CPF na nota (risos). Mas eles não têm humor. Também, com o mísero salário que eles ganham. Haja Prozac pra compartilhar. Marcamos de sair e se jogar na noite. Com meu atual desinteresse pela noite paulistana, sugeri da gente se ver. No feriado de finados (risos).

O metrô estava cheio. Fiquei em pé, com aquela variedade de odores, potencializado pelo ar condicionado. Consegui me sentar, mas pagando um preço alto: um homem ficou ao meu lado, em pé. Sabe aquelas compotas de geleia vencidas? Era esse cheiro que eu estava sentindo. Compotas mesmo. No plural e em negrito.


 Fui com Sidênia e Helô, de táxi para o Auditório do Ibirapuera, para a abertura da Mostra. Chegamos muito cedo. Em eventos como esse, chegar com antecedência queima o filme (risos). Ficamos conversando pegamos nossos convites. Dessa vez, eles colocaram cadeiras numeradas, que você tinha que sentar onde eles demarcaram pra você sentar.  O que significa que se a abertura fosse um tédio, não teria como sair à francesa. Me encontrei com uma colega que fazia tempos que não a via. Eu a cumprimentei e reparei no seu visual. Disse que ela estava com uma pele bem lisa. Mas não disse que sua pele estava, digamos, “brilhosa” demais. Continuamos o papo, falando de várias coisas, quando ela me cortou e  perguntou: “Minha pele está boa mesmo”? Fiz a linha como assim e ela me disse que tinha feito peeling, um dia antes. Eu a deixei encanada. Mas juro que não tive a intenção (risos). Eu a tranquilizei para que não se preocupasse. Ela estava bem apresentável.  Afinal de contas ela colocou uma tremenda Argamassa Quartzolit pra disfarçar. Estava beeeeeeeeeeeeem maquiada (risos).

quarta-feira, 15 de outubro de 2014


Acordei disposto e soltinho, depois de uma boa noite de sono. O floral mega hi-fi plus advanced turbinado feito pela minha terapeuta tem dado efeito. A junção Bach + San Germain tem me deixado um incenso de menino (risos). E a música pra abrir o dia não poderia ter sido mais adequada. Bem solar, bem pra cima, pra espantar de vez a monotonia.


Com a vibe em alta, me colei e fui caminhando até o metrô. Assim que atravessei a rua, vi alguns moradores de rua. Impressionante como tinha alguns bem interessantes. Deveriam se cuidar mais. Quando passei por eles, fui abordado por um bem simpático que gritou: “Princesa! Como você está linda!” Isso gerou uma comoção com as pessoas que estavam passando. Fiquei um pouco sem graça, mas não indiferente. Fiz a linha Lady Di: olhei para o rebento, acenei como uma miss, dei um sorriso e fui embora. Pensei: um bom banho de creolina deixaria o menino interessante. Mas imagine a quantidade de Assolan que eu teria que comprar (risos).


Peguei o metrô vazio. O Universo mais uma vez, aproveitando a boa vibração, conspirou a favor. Me sentei ao lado de uma racha sonolenta, que  se assustou quando me viu ao lado dela. Ri e perguntei o que a tinha assustado. Ela me disse que ultimamente os homens tem estado com a testosterona em alta. Na verdade, eu deduzi que a palavra era testosterona, pois ela não conseguia pronunciar (risos). Achei graça e a ajudei com a pronúncia correta da palavra. Em seguida, emendei, para ela não se preocupar: perereca, pra mim, só no brejo.

 E respirando, pensando no azul, com o mantra do dia:

terça-feira, 14 de outubro de 2014





Fiquei na expectativa de acordar, abrir a porta da minha sacada e me deparar com um céu azul, típico de fim de semana. Pra minha tristeza e desolação, vi apenas um céu opaco e um ar difícil de se respirar. A umidade estava muito baixa. Pra quem tem rinite e desvio do septo como eu, é como ganhar um vale presente. De um jihadista (risos). Com um sol desses radiando pela cidade de São Paulo, tomei meu café calmamente, li a Ilustrada da Folha, o Caderno 2 do Estadão e o Segundo Caderno, do Globo, embalado por um setlist só com a nata da negritude. E a abertura não poderia ser melhor. É Ben na veia.


Me encontrei com Claudia na padoca próxima ao Largo Arouche. É a Meca das beashas. Se bem que, pensando melhor, a Meca fica próxima da padoca. No cinemão de “atendimento”, ao lado (risos). Definimos o que ver sem aquela preocupação se teríamos tempo para fazer tudo. Seguindo uma máxima que aprendi nas minhas aulas de filosofia: no fim de semana o tempo não existe. Pegamos o metrô na República, descemos na estação Paulista e batemos perna até chegarmos na Galeria Vermelho. Na entrada, em destaque, o nome da exposição: Let´s write a history of hopes. Pra quem anda com uma visão pessimista do mundo, pensamos que seria útil um pouco de luz no fim do túnel. Porém, para nossa surpresa, quando entramos e começamos a contemplar as obras do artista Ivan Argote  (http://www.ivanargote.com/) sobre a temática em questão, ficamos desorientados: suas obras são carregadas de melancolia e desespero. Você vê a obra (feitas com esculturas inacabadas propositalmente) retratando escombros e aproveitando bastante o uso de material, como o cimento. A falta de cores e o excesso de cinza em suas obras potencializa esse desespero e essa fragilidade humana, tornando-nos omissos a tomar qualquer atitude.  E é aí que vem o “x” da questão. A função do artista foi de nos dar um chacoalhão e nos conscientizar de que essa “história de esperança” deve começar a ser escrita por nós. Só não sei por onde começar.




Mas a resposta veio em seguida. Da Galeria Vermelho, fomos em direção ao MUBE ver “Em busca de um novo mundo”, uma exposição da artista plástica Beatriz de Carvalho (http://www.beatrizdecarvalho.com.br/) . Até mesmo porque eu não estou com a mínima vontade de ver o Castelo Rá Tim Bum, em exposição no MIS. Só de ver as pessoas se estapearem para entrar, já me deu enxaqueca.  


Clau e eu ficamos surpresos com o mundo de fantasia apresentado pela artista. E concordamos que houve uma sintonia entre as duas exposições: na de Ivan o questionamento sobre o mundo ideal; na de Beatriz, a resposta dada de prontidão. Existe, sim uma luz no fim do túnel. Passeando pelas obras, refleti que tem faltado muito esse “mundo colorido” nas crianças hoje em dia. Na minha infância eu tomava Biotônico Fontoura e Calcigenol. Na geração de hoje, o bom é tomar Prozac. Para garantir sua sobrevivência no stress da vida moderna. 

segunda-feira, 13 de outubro de 2014




Pra coroar de vez o final de expediente, na última sexta-feira, fui convocado para uma reunião. Fui mentalizando para que ela fosse a mais rápida e objetiva possível. Reunião cansa. Ainda mais num prelúdio de fim de semana. O que mais me incomoda é a falta de praticidade das pessoas. Falta de foco. Você participa de uma, jogam-se vários questionamentos em torno do assunto, ninguém define nada, o tempo vai passando e depois de 3 horas, onde tudo se questiona e nada se resolve, o golpe de misericórdia: termina a tal reunião para marcar uma nova reunião (risos). Não posso me esquecer de levar meu floral de San Germain numa próxima eventualidade. Mas o assunto desse “encontro” foi bacana, não posso me queixar. O que é engraçado é ver a forma como as pessoas se portam. Teve uma – coitadinha – que tinha até boa disponibilidade em dar ideias. Mas era tão repetitiva. Ela não tirava a palavra alinhar da boca. “Por que é necessário termos alinhamento do que conversarmos..”; “”A necessidade de alinharmos é de extrema importância...”; Sabe fala de político sem inalibilidade política? Parece que decorou um texto, só pra impressionar.

Cheguei em casa com profundo cansaço mental. Aquela vontade de não fazer absolutamente nada. Me joguei na novela Império para me distrair. O que foi a Drica de Morais? Que maestria não só para conduzir seu protagonismo com a Cora, como teve a generosidade em se servir como escada para que os outros brilhassem também. A direção, com sua sensibilidade artística, foi impecável. O capítulo de sexta foi dela. Já estava mais do que na hora dela se sobressair na trama. Depois da novela, dei uma folheada no Guia da Folha para já traçar um roteiro cultural que Claudia e eu nos propusemos a fazer. Nos falamos brevemente pelo telefone. Ia começar Dupla Identidade. Bruno Gagliasso tem me dado medo (risos). É um dos melhores atores de sua geração, ao lado de Cauã Reymond. Mas a Luana...eu estava sem forças para me esforçar em tentar compreender que critério foi utilizado para que ela fosse escolhida para o papel. Eu a vejo e me vem na cabeça uma versão Anabelle da Barbie. Foi o máximo que meu cérebro pôde codificar.   

sexta-feira, 10 de outubro de 2014




O dia ontem foi bem exaustivo. Passei na terapia para juntar os cacos, depois do processo espiritual do Yom Kippur. Minha terapeuta receitou um floral de Bach mais floral de San Germain. Um floral reloaded (risos). Me propus, enquanto estava a caminho de casa, no metrô, que iria ficar refestelado em meu sofá, lendo jornais e vendo programa descartável na tv. No whatsapp, vejo a mensagem de Elcimar. Ele vai passar em casa para se despedir. Ele está indo para Cabo Frio, pra tentar trabalho por lá. Numa cidade como Cabo Frio, só como pescador, pensei. Mas me aprontei para o date. Ele estava com pressa. E eu também (risos).

Império me fez voltar a ter vontade de assistir novela. Aguinaldo Silva tem se utilizado de sua acidez ferina e colocado textos incríveis. Não tenho acompanhado a novela diariamente, porque, na verdade, não quero me sentir escravizado pela soap opera. Mas o capítulo de ontem foi um primor. Na cena de Maria Marta (Lília Cabral, como sempre, soberba – no bom sentido) com o Téo, eu vi a Joan Crawford incorporada nela. Todo mundo tem falado da atuação afetada do Paulo Betti como Téo. A mim, não incomoda. Até mesmo porque Téo Pereira nada mais é do que um alter ego da Aguinalda. Imagina como deve ser ela escrevendo em seu blog, dando todos os seus pitis. Téo Pereira nada mais é do que uma mera reprodução da autora. Só senti falta de um embate da Cora com a Maria Marta. Bette Davis e Joan Crawford, quem diria, acabaram no Irajá (risos). O capítulo de hoje promete.



Depois da novela, liguei para Claudia para combinarmos nosso roteiro cultural no fim de semana. Enquanto conversávamos, comecei a assistir aquela bobagem “Amor e Sexo”. Afinal, Chay Suede estava no programa (suspiros). Esse menino é bem pé no chão. Ele deu uma entrevista bem bacana no programa da Gabi, no GNT. Bem centrado, maduro para a idade dele. E pra piorar, bonito e simpático. Mas apesar do rostinho bonito de Chay, vi os primeiros dois minutos do programa. Me entediei e coloquei na tecla mudo. Estava insuportável. Que roupa era aquela que a Fernanda Lima estava usando! Ela parecia aqueles embrulhos plásticos de cadáver no IML (risos). E por que o Otaviano Costa estava usando óculos? Estava com conjuntivite? Começamos a questionar o que o Otaviano fazia no programa, já que ele não tinha sex appeal nenhum. Claudia foi certeira: ela disse que ir pra cama com Otaviano seria como transar com o Bozo (risos). Eu concordei. 

quarta-feira, 8 de outubro de 2014





Passei 3 meses em constante choque anafilático, logo após meu período de férias. Com o período de aniversário chegando e o inferno astral em forma de nuvem, jogando seus relâmpagos sobre meu jugo, me propus a fazer alguns questionamentos. Em conversa com minha amiga Raquel, regado a um bom vinho, ela me presenteou com uma ótima sabatina sobre o Yom Kipur – o Dia do Perdão, dentro da tradição judaica. Um exame de consciência para você rever seus erros através de seus atos, pensamentos e omissões. E a coincidência não poderia ser melhor: o Yom Kippur foi celebrado no final de semana que completaria mais um ano de vida. Como é bom o universo conspirar a favor. Fui me informar, pesquisar e me preparar para uma profunda imersão espiritual. O resultado foi assustador e surpreendente. Esse mergulho foi tão denso que essas chagas começaram a sair pelo meu corpo. 10 dias doente, mas colocando toda essa sujeira pra fora. Mágoa, ressentimento, tudo se esvaindo. E como doeu. Mas o mais irônico nisso tudo é que no dia do meu aniversário, comemorado no último sábado, fui parar no pronto socorro do Samaritano.  



Imagine uma cena de curta-metragem: você entra no hospital, fica olhando o tempo todo no visor para aguardar sua senha ser chamada porque você não está com humor para estabelecer contato com ninguém à sua volta. De repente, com sua imunidade baixa, vem em sua mente, como um zumbido, uma música pop deliciosamente descartável que não sai da sua cabeça e ao mesmo tempo você para e fixa seu olhar de zumbi para a tv, que está passando jogo. Na tecla mudo. E você questiona mentalmente, com o restinho de força que lhe resta: cadê o closed caption? (risos). Foi surreal.



Sua senha é chamada e você vai numa cabine estreita (cabine 4, se não me falha a memória). Você é atendido por uma recepcionista polida, que te recebe de uma maneira distante inicialmente - afinal,  ela quer ir embora, com aquela cara de indiferença pensando: “foda-se você e essa merda toda. Quero ter ostentação” (risos). Ela pega sua carteirinha do plano de saúde, seus dados, olha para o computador, tenta disfarçar sua cara de espanto, continua séria e solta em tom sério a seguinte frase, seguida de um sorriso: “Feliz aniversário!” (risos). Eu realmente fiquei sem ação. Não sabia se agradecia ou se mantinha minha cara de quarta parede.
Passei por uma pré consulta para medir pressão e colocar o termômetro para saber se estava com febre e o enfermeiro super simpático olha pra sua ficha e solta: “putz, é seu aniversário. Meus pêsames!” (risos). Aí eu perguntei se os pêsames era pelo fato de estar doente ou pelo fato de existir. Ele não conseguiu depois disso construir sua linha de raciocínio.  Ficou gaguejando. Mas foi um gentleman.
O resultado dessa epopeia foi ficar de molho em casa em companhia de são Levofloxaxino. E muito líquido. Pode parecer que não, mas o Yom Kippur foi essencial para essa minha limpeza. Agora estou pronto, soltinho para mais um ciclo de vida. Será que eu chego?

  E como sou uma nova pessoa, sigo o mantra de Margo Channing:

terça-feira, 7 de outubro de 2014




 Pois é. Mais um dia de insônia. Estar acordado às 3h30, com uma ansiedade que surgiu do nada e você não sabe por que você está tendo. Qual a minha alternativa? Apelar para  Eric Hobsbawn ( http://pt.wikipedia.org/wiki/Eric_Hobsbawm ). Deus, como ele fará falta. Em seu livro “A Era dos Extremos”, ele me fez questionar se Lenin, um dos grandes responsáveis pela Revolução Russa foi, de fato, um organizador de golpes. Vou explicar melhor: quando conheci a história do revolucionário russo, eu sempre o achei “maquiado” na sua crueldade e na sua forma de manipular a todos pelo seu ideal. Era isso que me fascinava nele.  Na visão de Hobsbawn, Lenin era, explicitamente, sim, um belo golpista. Como é duro ficar nos 220 volts em plena madrugada com devaneios sobre a história mundial. É a consequência da ressaca política.


                                                
Falando em ressaca política, eu me esqueci completamente de pedir a proteção de Bakunin  no último domingo (se você não sabe quem foi, tem tempo de se redimir e ir atrás a respeito. Vou dar um help a vocês: http://pt.wikipedia.org/wiki/Mikhail_Bakunin). A Velha Política vai continuar. E para aqueles que ficam entupindo meu whatsapp de videozinhos tendenciosos sobre quem eu deva votar no 2º turno: é impressionante como tem um povinho bem errado que não tem o que fazer a não ser curtir a sua mediocridade, de ficar mandando essas bobagens. Quer dizer, elas não te chamam no whats pra te dar oi, não perguntam se você está vivo. Nem pra futilidades, como por exemplo, mandar incessantemente fotos (risos) de comida. Então só para deixar claro: essa velha política azul e vermelha não me representa. Todos fazem parte do mesmo bueiro. Do mesmo esgoto. Acho que não preciso soletrar.