quinta-feira, 19 de março de 2015



Estão todos me perguntando o que estou achando a respeito de Babilônia, a nova novela de Gilberto Braga e seus colaboradores. Assim como fiz em Império, decidi sentar minha bunda no sofá para analisar se Babilônia veio pra ficar. Acho cedo falar sobre a novela, até mesmo porque ainda não foram apresentados todos os personagens para composição da trama. Mas Braga deixou bem claro que ele não pretende ceder à pressão de um público careta e conservador. Ele já deu o seu recado: beijo entre duas senhoras, luxúria em excesso, ganância pelo poder, assassinato, todos esses elementos já colocados em forma de eletrocussão ao telespectador. Mas quero ter cautela em assistir pelo menos essa semana para escrever sobre a novela. Me lembro quando escrevi a respeito de Império, que Aguinaldo tinha conseguido me fazer voltar a ter prazer em ver uma boa história contada. Começou bem, mas logo naufragou. Apesar dele ter resgatado o estilo “novelão”, ele tranformou a história do comendador e sua trupe de forma um tanto surreal. Depois de dois meses, perdi totalmente a vontade de continuar por dentro de Império. Vamos ver se Babilônia conseguirá se sustentar e me fará ficar sentado no sofá por meses. A conferir.


Em semana de manifestações, observei uma bela estratégia do PMDB em se colocar diante da massa como benemérito do povo brasileiro. O presidente da Câmara, Eduardo Cunha foi duplamente entrevistado nos programas Roda Viva, da TV Cultura e Diálogos, com Mario Sergio Conti, na GloboNews. Na certa, querem se descolar do parceiro PT, para evitar que as pessoas relacionem o partido com qualquer ligação à corrupção. Ah, tá e eu acredito em fadas (risos).  Só espero que o mínimo de ensino sobre política que as pessoas tiveram na vida façam elas se conscientizarem de que o PMDB não só está enfurnado nessa sujeira toda, como considero esse partido a mãe puta da política brasileira. E só para relembrar: tanto Cunha quanto Renan, presidente do Senado, estão na lista da Lava Jato. E acho que nós, como cidadãos brasileiros, precisamos ficar bem atentos com as manobras feitas e atitudes tomadas pelo Congresso Nacional. Li hoje no facebook uma postagem do músico paraense Felipe Cordeiro dizendo que a rádio Câmara passou a ser terceirizada e comandada por grupos evangélicos e que os tais missionários de Deus suspenderam todos os programas culturais, vários deles premiados. Ah, e antes de você almoçar, algo para se fazer uma boa digestão: a Câmara aprovou um orçamento exorbitante para gastos dos partidos políticos. . Em todo o caso, quero muito assistir a entrevista do nosso Herodes parlamentar e ver quais são os argumentos deles mediante a essa crise nefasta que assola o Brasil. A pipoca e o refrigerante não poderá faltar para essa sessão. E o Estomazil também. 

quarta-feira, 18 de março de 2015



Estou na expectativa de que março passe logo, sem deixar muitas saudades. É que quero ver a chegada do mês de abril o quanto antes. Teremos dois belos feriados, num curto espaço de tempo. E é lógico que já fechei duas viagens para abstrair um pouco a alma. Na semana santa, embarco com Juçara para conhecer Inhotim, um centro cultural a céu aberto, em Minas. Já estava mais do que na hora de voltar a esse estado na qual sou declaradamente apaixonado. Sua beleza torneada entre montanhas, retratando o bucolismo único que só Minas tem. Fora a receptividade calorosa e sincera dos mineiros. E a deliciosa maneira de se ouvir o sotaque peculiar. Para o feriado de Tiradentes, escolhi aproveitar a cidade maravilhosa para fazer um roteiro cultural e dar uma espiada no que está rolando de interessante no circuito cultural. Estou pensando até em fazer um programa de turista, mesmo. Ir no Cristo Redentor e no Pão de Açúcar, afinal conheci esses dois atrativos turísticos quando era criança. E é sempre bom respirar o Rio de Janeiro. Me sinto em casa.



Uma colega querida ficou me perguntando “como assim, você não gostou da montagem do espetáculo da Gaivota”? (escrevi a respeito ontem, dêem uma olhada -  http://omundodelira.blogspot.com.br/2015/03/depois-de-um-breve-periodo-de.html). Bom, eu sou da opinião que para eu considerar um espetáculo realmente bom, eu tenho que sair mexido, incomodado, chocado, doído. A peça tem que me deixar em estado de reflexão. Ir ao Teatro como mero caráter de entretenimento não faz minha cabeça, a menos que você vá disposto a assistir algo do tipo. E como o tempo é algo precioso, eu prefiro utilizá-lo para assistir obras que realmente me propicie o questionamento das coisas. E me veio na minha mente um episódio que aconteceu enquanto assistia o espetáculo. No final do 2º ato da Gaivota, saí para ir ao toilete e tomar um café. Assim que voltei ao auditório, uma senhora estava sentada duas cadeiras ao lado da minha. Deduzi que tinha acabdo de chegar, pois não tinha visto ela no início do espetáculo. Ela me perguntou se tinha alguém sentado onde ela estava e eu disse que estavam sentados um casal, mas ela poderia ficar ao lado deles, pois os assentos estavam vazios. E ela começou a fazer um tricot verbal comigo. Como estava meio entediado pela peça, resolvi bater um papo. Ela me contou que tinha ido assistir a peça na abertura do evento, que achou péssimo terem colocado um espetáculo de quase 5 horas para abrir a cerimônia de abertura que durou mais de 2 horas e que tinha ido ver de novo, pois teve que sair no fim do 2º ato no dia da cerimônia. Foi inevitável ela perguntar o que eu estava achando, mas em vez de perguntar, ela decidiu começar com uma afirmação para terminar em forma de questionamento: “essa peça está ótima, não?” Não sei por que, mas me lembrei das  minhas aulas de inglês de tag question, que possui esse mesmo tipo de construção numa frase. Fui educado na resposta, pois não queria dizer de cara que não estava gostando. Falei que “estava ainda em processo de digestão”. Ela riu e disse que falaram para ela que os dois últimos atos da peça eram uma catarse. Confesso que até senti uma ponta de ânimo, já que depois de 2 atos, não tinha visto ainda a que veio. O 3º ato começou, se desenvolveu, se prolongou e, após o término do ato, me levantei para sair sem esperar a última parte do espetáculo, tamanha era minha irritação. Quando passei pela senhora novamente, ela me perguntou se eu estava indo embora, se eu não estava curtindo a peça. Eu respondi que tinha adorado a peça, pois ela teve sua finalidade: suspender meu remédio para insônia (risos). 

terça-feira, 17 de março de 2015




Depois de um breve período de hibernação, retorno ao meu convívio com meu diário virtual. Juntou-se a correria do trabalho, a vida política desse país que reforça meu estado de desânimo e descontentamento e situações que me fizeram ter um tremendo bode para escrever. Minha prioridade aqui é relatar o dia-a-dia de meu cotidiano. Tenho o cuidado de não transformar meus incômodos numa relação de terapia com o blog e com quem lê. Por mais irritado que eu ficara desde a semana passada, não me senti a vontade de vomitar minhas sensações. Nessas horas, preferi acautelar-me e esperar a raiva passar para poder até dividir as inquietações com quem lê esse pequeno espaço dedicado às peripécias da vida moderna.

A melhor maneira de aquietar a alma mediante ao stress com colegas e amigos é me jogar num bom roteiro cultural. Quis me priorizar. Vi peças, filmes, exposições apenas com a minha companhia. Foi uma boa forma de apaziguar a ira. A solitude foi mais que necessária para me fazer ficar de pé diante das adversidades. Ela me mostrou que a vida segue pra frente e que os conflitos são necessários para meu amadurecimento. E vamos pra next!


Para quem não teve a chance, valeu a pena ter acompanhado o MIT – Mostra Internacional de Teatro, em Sampa. Ótima curadoria feita no mapeamento das companhias teatrais em sua segunda edição de evento. Vi peças medianas e espetáculos que ofereceram para mim momentos de boas reflexões. Estava sentindo falta de assistir obras que me dessem um belo chacoalho para fazer uma justaposição com fatos ocorridos em minha vida pessoal no decorrer desses últimos dias. Para abrir as mesas de trabalho, fui ver A Gaivota, texto de Yuri Butusov, encenado pela companhia de teatro Satyricon, da Rússia. O espetáculo coloca em questão o desencorajamento do ator e sua autoflagelação em se torturar na concepção de seu trabalho artístico. Em resumo colocou-se em pauta se vale a pena desenvolver um trabalho cênico para instigar uma reflexão ao público que assiste. Um assunto que me interessou a princípio, mas a montagem em si não se tornou tão atrativa. Apesar da bela produção, o trabalho de ator da companhia não me convenceu na forma de se passar a mensagem proposta no texto de Tchekhov. E para me ajudar, acabei comprando ingresso para ver outra peça no mesmo dia, sem me dar conta que A Gaivota teria 4h45 de espetáculo e que eu não teria tempo hábil para assistir outra peça. Como A Gaivota não me comoveu e não me fez nenhum tipo de provocação saí do Auditório Ibirapuera depois do 3º ato (o espetáculo teve 4 atos), peguei o ônibus em frente ao parque para ir em direção ao Teatro João Caetano ver As irmãs Macaluso. As irmãs... fizeram comigo em apenas 1 hora de espetáculo o que A Gaivota não conseguiu fazer: me tombar. O curioso é que a montagem feita pela Compagnia Sud Costa Occidentale, da Itália mostrou que com o nada se faz tudo: uma história marcada pela simplicidade – a relação de um pai com suas sete filhas, com uma luz básica, apenas uma cruz como elemento cênico e um trabalho primoroso da direção em tirar das atrizes o sangue necessário para deixar a plateia toda atônita, graças ao trabalho de ator. Se Antunes Filho assistisse, acho que ele teria gostado.

Também vi Canção de muito longe, um monólogo sobre perdas e decepções. Fui com Jorge ver essa tão bem falada peça teatral. Mas assim que terminou, tive a sensação de ter visto um trabalho de conclusão de curso. Um monólogo cansativo, sem dar muita atenção à criatividade necessária na construção de um personagem tão interessante para se desvendar. Não saí nem um pouco mexido e isso me incomodou bastante. Mas acho que fechei meu ciclo de peças no MIT vendo uma bela obra-prima cênica que utilizou-se de efeitos visuais para contracenar com os atores presentes na montagem. Opus N.7, montagem do Laboratório Dmitry Krymov do Teatro da Escola de Arte Dramática de Moscou me deixou impressionado e mostrou que interpretação e efeitos visuais fazem uma bela química. Com dois atos, Opus N.7 mostrou o preconceito retratado na perseguição aos judeus soviéticos durante o regime de Stálin; e a censura sofrida pelo compositor russo Dmitri Shostakovich. E o que mais surpreendeu foi a forma tão poética em retratar a repressão. Apesar do intervalo longo – de 30 minutos, valeu cada segundo ter assistido uma peça para me fazer sair mexido. Foi inevitável pensar na atual massa reacionária brasileira durante a montagem. Espero que a mensagem passada pela companhia reverbere em cada pessoa que foi prestigiar o espetáculo. Estamos precisando urgentemente de lucidez. Resta saber se o efeito vai bater na consciência do espectador. Aguardando ansiosamente em posição de yoga.


sábado, 7 de março de 2015


O dilúvio de ontem causou um strike na Pauliceia Reacionária. Começou a chover por volta das 12h30 e não parou mais. E São Paulo, com toda sua imponência em ser uma das maiores cidades do mundo, vê sua impotência diante da tempestade desvairada que durou o dia todo até a noite. É latente a fragilidade da cidade mediante ao caos que se instaurou. E tudo fica parado: congestionamentos com carros, ônibus; e os metrôs e trens em velocidade mega-reduzida devido às circunstâncias da segurança pública. Saí um pouco mais tarde do trabalho, por volta das 20h30. Chegando na estação Belém, o metrô estava parado, aguardando autorização para seguir viagem. Quando entro no vagão e prestes a sentar no acento, uma visão de dar arrepios: restos daqueles salgadinhos de isopor genéricos da Elma Chips espalhados não só nos acentos, como no chão. Fazendo uma leitura visual dinâmica do espaço, vejo até cascas de banana no chão do vagão. Era de dar nojo. Se Noé fosse vivo e deparasse com essa situação, com certeza questionaria o Todo-Poderoso: “salvar essa fauna, a troco de QUE? (risos)

Não demorei muito a chegar em casa. Sentei pra dar uma folheada nos jornais e preparar o roteiro cultural do fim de semana.  Deixei a TV ligada para aguardar o jogo da Superliga Feminina de Vôlei. O Sesi jogaria em casa com a equipe de Osasco. Jogo de vôlei não soa cansativo. Além de achar prazeroso, relaxa em assistir. Aproveitei também para dar uma pesquisada de preços de passagens para Belo Horizonte. Combinei com Juçara de irmos no feriado da semana santa. Na verdade, a idéia é de irmos para Brumadinho, conhecer Inhotim. Vamos ver o babado que vai dar. No embate Sesi x Osasco, deu Sesi, por 3 sets a 1. 

(deguste essa linda canção de Gil, enquanto lê o texto)

Abrindo o Guia da Folha, já tive um susto: vejo uma foto dos Backstreet Boys, famosa boy band dos anos 90, estampada no caderno cultural. É sério mesmo que eles querem voltar a se apresentar, numa espécie de revival juvenil? Quer dizer, era até bonitinho vê-los entretendo as fãs histéricas, mas isso já faz tempo, não? Não são mais aqueles moleques que divertiam as meninas com os rebolados mal feitos. Agora com a idade avançando e o metabolismo mais lento, questiono se eles possuem “ta lento” para aquelas coreografias decadentes de baile de debutantes. Ver o Backstreet Boys na ativa é como ver a osteoporose chegar aos 70 anos numa sobra de corpo.

Falando em osteoporose, li que Marília Gabriela estreia peça dirigida pelo Jorge Takla, chamada “Vanya e Sonia e Masha e Spike”. Juro que fiquei com medo de ver a peça protagonizada por ela. Na foto que ilustra a matéria, ela está vestida de Branca de Neve. E o Elias Andreato vestido de anão. Achei meio suspeito. Na foto de divulgação, ela está bem bonita, lembra muito sua xará Marília Pêra. Quem sabe ela possa pedir emprestado a Marília  - a Pêra, um dedinho de seu talento. E eu sempre desconfio das peças que colocam um gostosão exibindo seu corpo musculoso na foto de divulgação do espetáculo. Não sei por que ela insiste em querer ser atriz. Me lembro de ter assistido Senhora MacBeth com ela, mas era visível ver o quanto ela estava despreparada para fazer uma personagem que exigia densidade dramática. A Selma Egrei,  que fazia o papel de uma das bruxas que participou da encenação, devorou a entrevistadora e dublê de atriz.

Tem também a Stela Miranda homenageando Carmem Miranda, no espetáculo Miranda por Miranda. Eu diria que soa pretensioso o nome da peça.  E ela é aquele tipo de atriz xerox, faz sempre a mesma coisa. Pra mim, ela não passa de uma atriz “one-hit-actress”. E eu ainda estou aguardando seu “hit” em posição de yoga (risos); Malvino Salvador, aquele ator da Globo também abre a temporada de estréias teatrais com a peça “Chuva Constante”. Nada mais propício o nome da peça, não? (risos). Acho ele péssimo como ator “quero fazer a linha hetero”.



Folheando o caderno cultural, vi uma opção bacana de show que vale a pena dar uma conferida. Em comemoração ao dia internacional de mulher, as cantoras Ná Ozzetti, Céline Imbert e Anelis Assumpção farão amanhã, dia 08, um show especial para a ocasião, na sala de conservatório da Praça das Artes, na região central. E o melhor, é gratuito. Vale a pena conferir;  E também amanhã, dia 08, abre na Caixa Cultural São Paulo a mostra gratuita Múltiplo Leminski. É uma boa dica principalmente para quem não consegue falar e escrever o português direito.

E alguém me disse que tem uma peça que não me lembro o nome no Teatro Eva Herz que vale a pena ver. Como não sei o nome do espetáculo, nem quem foi a pessoa que me falou, deduzo que não deva ser algo de relevante para ver.

sexta-feira, 6 de março de 2015



Hoje foi difícil manter a concentração na leitura, durante o trajeto para o trabalho. Pra começar o metrô, além de lotado, teve que esperar uns minutos a mais devido a alguma ocorrência nos trilhos. Fiquei do lado de fora na esperança dele sair logo da estação para pegar a próxima viação, mas em vão. Só me restou entrar em algum vagão que estivesse relativamente confortável. Pelo menos para eu não me esbarrar em alguém suado e fedendo. Consegui me alojar em pé, peguei o livro e comecei a degustar. Consegui me sentar na estação seguinte, achando que faria minha imersão na leitura, mas na lei de Murphy nossa de cada dia, um casal de jovens ficou colado ao lado de meu acento. Eles falavam muito alto. E além de falarem alto, só sabiam se expressar em gírias. Eu cheguei a dar uma olhada na cara deles e me certifiquei que eram estudantes de vestibular. O menino não tirava a palavra “escroto” da boca. Também pudera, ele não tirava a mão da sua (risos) pequena genitália. Quase cheguei a perguntar se ele estava com chato. A garota, uma insossa control C control V, repetia como um mantra o linguajar. Dois jovens sem assunto para conversar e com um vocabulário antiquado e pobre. São os profissionais do amanhã. Reféns da Pátria Educadora.


Saindo, até que enfim do metrô, vim caminhando até o trabalho. Vi um homem atravessando a avenida e pensei “o carnaval, pelo jeito, ainda não acabou”. Parecia um ebó de encruzilhada. Estava vestido com uma camisa CHEIA de listras na horizontal, com várias cores berrantes, um óculos para homenagear o José Rico e uma corrente dourada pra cegar qualquer ser de bom gosto. Glória Kalil teria uma morte súbita se passasse por ele.  

E a sexta finalmente chegou. A semana tem sido exaustiva, mas ao mesmo tempo recompensadora. As gravações do Filosofia Pop estão rendendo boas discussões. Acompanhei ontem a filmagem no Sesc Vila Mariana com o tema pedofilia. Até poderia ter ido de táxi, mas como Igor tinha ido fazer uma visita na parte da manhã, acabei me jogando no subway pela praticidade do tempo. Ele comentou que estão ocorrendo arrastões na linha 1 Azul do metrô. Eu achei que era uma brincadeira dele, mas pelo semblante que ele fez, vi que o assunto era sério. Os pequenos grupos têm agido da estação Praça da Árvore em diante. Falei que isso não tinha saído ainda nos jornais, mas que ingenuidade a minha achar que iria ou irá sair, afinal o Metrô é de responsabilidade do Governo do Estado de São Paulo, que porventura, é blindado pelos veículos de comunicação. Ainda bem que os florais tem surtido um belo efeito. 

quarta-feira, 4 de março de 2015



Em meio ao mundo bizarro de Gugu na TV e as bizarrices do mundo de cão de cada dia – seja com o Estado Islâmico e o exército evangélico daqueles satanistas maquiados da Universal, enfim uma notícia que vale a pena ser compartilhada. Fiquei comovido com a história do menino Thompson Vitor, de 15 anos, que passou em 1º lugar no curso de multimídia da IFRN (Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte), não pelo fato em si, mas pelo enredo que conduz a história desse jovem potiguar. E sua mãe, uma ex catadora de lixo de nome Rosângela,  foi a principal motivadora para a educação do filho. Ela recolhia pertences nos lixos de famílias ricas que considerava importante para o bem estar de sua família. Entre os objetos, ela achava vários livros e aproveitava todo o material literário que ela resgatava para servir de leitura a seus filhos. Essa nobre postura incentivou o jovem Thompson a ter gosto pela leitura e pelo estudo e, o principal, foco em sua perspectiva de vida. E, detalhe: Rosângela trabalhou como catadora de lixo durante 10 anos. O jovem Thompson decidiu então centrar esforços nos estudos e com isso, conseguiu a proeza de ficar em 1º lugar com a maior nota de corte no curso. Quando li a matéria respirei aliviado, pensando que há ainda um frescor de esperança no ar. Esses ricos de ontem, que jogaram livros no lixo, fazem parte da classe média ignorante de hoje. Para o jovem Thompson, isso é apenas o começo. Mas que sua iniciativa sirva de exemplo para vários outros jovens que acham que o mundo se resume apenas nas conversas de whatsap. (leia a matéria na íntegra e reflita: http://educacao.uol.com.br/noticias/2015/02/25/mae-do-1-lugar-no-ifrn-conta-pegava-livros-no-lixo-e-lia-para-eles.htm )



Levei alguns jornais para dar uma lida e me atualizar sobre as notícias de política. Vi no caderno de política do jornal O Globo que a Vilma, junto com sua equipe, agendou um jantar com a cúpula do PMDB, incluindo os emissários de Lúcifer – Eduardo Cunha e Renan Calheiros, nomes esses citados no Lava-Jato. Mas Renan, numa postura de criança mimada em busca de luz na escuridão, resolveu não comparecer. É nisso que dá o PT vender a alma ao Diabo: agora está refém da mãe puta de todos nós, o PMDB, na condução do governo. Quer dizer, o PT costura a aliança política durante o período eleitoral e depois da vitória da Vilma, querem excluir o principal aliado na articulação política do governo? Das duas, uma: ou o PT se tornou o próprio Diabo com esse pacto sinistro ou são meros estúpidos ingênuos em achar que podem ter o poder apenas para si. O que me chamou a tenção na matéria foi a foto colocada para ilustrar a reportagem: um homem estava com um cartaz em frente ao palácio do Jaburu – local do dinner de reconciliação, com o seguinte dizer: “Nesta Santa Ceia quero ver quem é o Judas”. Pensando na quantidade de políticos que compareceram ao jantar, acho difícil escolher um. Acho que será necessário a Santa Ceia do Jaburu distribuir (risos) senhas para sortear o bode expiatório da vez. Haja concorrência.


E a música sertaneja entra com dois assuntos: Inezita Barroso comemora seus 90 anos de vida. Talvez muitos não saibam, mas a artista, que comanda bravamente o programa Viola, minha Viola na TV Cultura, além de cantar também é atriz, instrumentista, folclorista e professora. Inezita é uma das poucas a divulgar a música sertaneja de raiz, ou música caipira, como preferir. Perguntada a respeito da atual música sertaneja hoje em dia, ela é contra a modernidade colocada nas músicas do gênero hoje em dia. Já chegou a chama-la inclusive de sertanojo, que é uma música inventada pela indústria, sem raiz e paupérrima. Sertaneja com atitude punk na língua. E vindo de uma expert no assunto.

Outro grande expoente da verdadeira música sertaneja, o cantor José Rico, que fazia dupla com Milionário, faleceu ontem, deixando vários saudosistas desolados. Para mim, Milionário e José Rico me traz boas lembranças. Apesar do descaso que a mídia dava a eles graças ao sertanejo de boutique de Chitão, Zezé e companhia, vale registrar que a dupla foi responsável em modernizar a produção de música sertaneja no país. Foram precursores em colocar metais nos arranjos. E a memória afetiva não para por aí.  Quando era criança, costumávamos ir, todos os domingos, para a fazenda de meu tio Gildo, eu, meus pais, minha irmã, minha avó e meus primos. Pegávamos uma estrada de terra para chegar na fazenda e eu adorava, desde cedo, a contemplar a paisagem verde do lugar, o relampiar dos tiús com suas caldas imensas correndo pelas matas, as lagunas e seus brejos traiçoeiros. E tudo isso ao som de Trio Parada Dura, Tião Carreiro e Pardinho e Milionário e José Rico. Deus, como eu detestava ouvir essas músicas. Meu pai colocava a fita cassete no talo. Hoje eu me lembro com saudosismo a voz cortante, melancólica e trovadora de José Rico cantando a perda, a saudade, o amor não correspondido. Depois de muito tempo, passei a apreciar a obra dessa dupla com outra audição. Apesar do reconhecimento tardio, José Rico figura entre os ícones da boa música sertaneja, não só pela voz ímpar, mas também pelo seu figurino de bicheiro aposentado, cheio de jóias douradas pelo corpo.  Uma relíquia que fará falta.



terça-feira, 3 de março de 2015


(se achar mais agradável, escute essa preciosidade, enquanto lê o texto)

Exercitando o lado crítico de ser, fui com Helô tomar um café no Sesc Belenzinho. Durante o caminho, disse que não poderia esquecer de pegar os semanários de cultura para apreciá-los à noite, em casa. Helô comentou que não tem tido tempo de ler o jornal que ela assina. Lógico que perguntei, como todo bom curioso qual era o jornal que ela assinava e ela respondeu que assina o Estadão. E começamos a relacionar os três principais veículos de mídia impressa. Eu disse que dos três eu prefiro O Estadão, pois pelo menos eles assumem a postura de se fazer uma linha editorial mais conservadora. Eu parto da opinião que é sempre bom saber o que os conservadores pensam a respeito de tudo, principalmente política; com relação à Folha, Helô argumentou em poucas palavras sua opinião a respeito do jornal da família Frias: “uma revista de comadres” (risos). Também tenho achado a Folha mais à margem dos fatos do que suas concorrentes, mas contra argumentei que em matéria de furo de reportagem, ainda acho a Folha imbatível. E O Globo tem me surpreendido com seu caderno de cultura. O Segundo Caderno tem se sobressaído com pautas bem mais interessantes que as concorrentes paulistanas. Me dá a sensação de que eles, de fato, saem de suas mesas de redação, de suas zonas de conforto, para ir atrás de algo interessante.



E o assunto do momento tem sido a criação de um exército evangélico criado pela Igreja UNINFERNAL do Reino de Deus. Assistindo ao vídeo, me veio uma passagem da Bíblia onde Cristo diz para a gente se acautelar, pois muitos virão em Seu nome. Quer dizer, como uma igreja que diz ser de Deus tem como hábito chamar os demônios para conversar com os pastores durante o culto. Só falta arrumar uma mesa com xícaras para um chá da tarde com os “espíritos inferiores”. E um ser que diz ser pastor chamar o diabo para um “dedo de prosa”?   Mas o melhor foram os comentários a respeito do assunto. Um colega postou: “é tudo gogo boy, gente”! (risos). Meu comentário foi suscinto: o apocalipse começou.



Homero passou em casa ontem à noite. Fazia um tempo que não o via. Digamos que ele seja minha última nova aquisição.  Um menino tão jovem, bonito e sem perspectiva do que fazer na vida. Fico observando com tristeza ver tantos jovens sem nenhum planejamento de vida, amarrados por um horripilante tédio. Mas gosto dele. Matamos saudades e conversamos bastante. Ele veio com a mãe para São Paulo, junto com seus dois irmãos. É o caçula. Não sei por que ele começou a falar sobre seu pai, que ele não conhece. Perguntei a ele se tinha vontade de vê-lo e ele me falou que tentou conhecê-lo quando tinha 12 anos, mas seu pai não quis recebê-lo. Pra variar, mais um homem covarde nesse mundo. Antes de ir embora, ele me perguntou se eu estava precisando de uma faxineira, que se eu quisesse, poderia chamar sua mãe para trabalhar para mim. Eu agradeci e declinei pois já tenho uma diarista que está comigo há 6 anos. Assim que ele foi embora, pensei na ingenuidade dele em chamar sua mãe para fazer faxina em casa. E como que eu iria abordá-la? “Bom dia, sogrinha?” (risos).

Tenho assistido bastante os canais culturais na TV paga. O Arte 1 está com uma boa programação, fora a bela identidade visual criada pela emissora. Ontem, por exemplo, passou um documentário sobre Thelonius Monk, com pitadas de apresentações do músico em vários palcos por onde passou.  E quem é Thelonius Monk? De forma bem cartesiana, é um cara que soube realmente fazer música. Ah, e eles costumam programar concertos, para meu deleite. Vi na sequencia do documentário o maestro Daniel Barenboim conduzindo a orquestra com a sinfonia n° 5 de Beethoven – um elixir dos deuses. Só acho uma pena colocar uma série genérica e bem inferior a Downton Abbey, chamada Bleak House em sua grade de programação. É de bocejar.