quarta-feira, 1 de abril de 2015




Recebi um torpedo um tanto quanto estranho e tempestuoso logo no começo da semana. A mensagem de tom raivoso dizendo o seguinte:  “meu nível (leia-se o nível da pessoa) de educação é auto (sim, a pessoa escreveu dessa maneira), você (sou eu mesmo) que é afobado e acelerado e só você tem razão”.  Disse para eu ser mais humilde e que (risos) quando se morre não se leva caralio nenhum. Terminou a mensagem dizendo que estávamos kits e se despediu. Assim que terminei de ler, olhei para o número do celular e me lembrei de quem era. Uma ausência de rapaz que conheci há um certo tempo e que tinha mandado passear e tomar rumo na vida. Fui reconstruindo na minha mente nossa última conversa, quando nos falamos pelo celular. Discutimos e ele desligou o telefone na minha cara. Mandei um torpedo louvando a (falta) de educação dele. E ele manda (risos) dois meses depois seu direito de resposta? Que tipo de atraso de cérebro ele tem? Esperar tudo isso pra pensar numa resposta? Cuidado, que rancor dá câncer, viu (risos).


Fui comemorar o aniversário de meu amigo Nelson na segunda-feira. Ele já tinha mandado convite avisando que iria comemorar no bar Tatu, em Pinheiros, onde fica o restaurante Jacarandá. Saí correndo para dar tempo de tomar uma ducha, me colei e peguei um táxi para o shopping Frei Caneca comprar seu presente. Vi uma camiseta de São Sebastião linda da loja Nonsense e achei que era (risos) a cara dele. De lá, peguei um táxi e fui para o bar. O taxista  estava ouvindo uma rádio de apelo popular, com uma programação extremamente, digamos,  democrática. Quando entrei no carro, estava tocando uma música sertaneja horrível. Enquanto explicava para ele o melhor trajeto para chegar ao bar, o sertanejo deu espaço na sequencia para o hino de velório I will Always love you, da Whitney Houston. Foi a brecha para estabelecermos uma conexão. Com um sotaque malemolente, perguntei a ele de onde vinha seu sotaque. Era baiano. E eu amo os baianos. O papo foi rápido em função da corrida rápida. Nem deu tempo (risos) de pegar o whats dele. Fica pra next.

Cheguei na hora que cantavam o parabéns para Nelson. Esperei finalizar o canto para entrar, cumprimetá-lo e entregar seu presente. Alguns bons amigos estavam presentes: Guete, vestida de preto e com um belo decote, pronta para o abate (risos); Sílvio, que foi sem seu marido, uma graça de pessoa. Me falou que fará uma viagem pela Itália, desbravando o norte do país, principalmente Milão. E me deu boas dicas para desbravar a Califórnia, lugar que estou desesperado para conhecer. Antes que o Estado Islâmico tome conta (risos); Mônica também estava lá. Aliás, foi ela que me apresentou o Nelson e já são quase 15 anos de amizade. Passei por todos para dar um oi e quando me sentei vi que Sérgio Pêra também estava presente. Ele é o que podemos chamar de escudeiro da Marília Pêra. Eu o chamo (risos) de Zilka Salaberry, tamanha a semelhança fácil dele com a eterna Dona Benta. Ele e Marília são amigos de longa data. Gosto dele, mas ele tem aquele tipo de perfil que só sabe falar de assuntos que interessam a ele. E o que é pior, sempre repete o mesmo assunto. E quando a pauta é sobre Marília, ele monopoliza a conversa em torno dela. É realmente cansativo. Chegamos a sair juntos, mas detesto pessoas que só te procuram quando lhe convém. Acabei não falando com ele.

O set list de músicas estava bom, muita disco music, clássicos dos anos 80 e 90 pra não deixar a festa cair no ânimo. Perguntei o nome do Dj e Nelson falou que se chamava Frajola. Ficou faltando saber quem iria se vestir de Piu-Piu para ser comido por ele (risos). Mas o melhor momento foi a Guete pedir para o Dj tocar (risos) Perla. O Nelson adooooooora Perla. Frajola colocou “Fernando”, para deleite saudosista de todos. Com a festa quase no fim, Elídia chegou toda exuberante, parecia uma sacerdotisa do Ilê Aye. Se bem que ela me lembrou bastante a cantora Rosa Maria (risos).


A festa terminou por volta de quase meia noite. Peguei o táxi para casa. Cheguei sem sono e dei uma zapeada na tv.  Coloquei no canal Sony para ver aquela bobeira do The Voice. Duas aspirantes ao estrelato pop cantavam juntas a mesma música. A melhor passava para a próxima fase. Quando a Sirene Aguilera deu seu veredito, veio o apresentador fazendo aquela cena necessária para segurar a audiência, dizendo um texto assistencialista para a derrotada. A fulana então antes de dizer adeus ao programa, agradeceu a todos e falou que se sentia “vencedora”. Vencedora de ser...eliminada? 



terça-feira, 31 de março de 2015



Já estou preparando meu roteiro para as viagens que fechei nos feriados do mês de abril. Consegui uma compensação na quinta-feira, pois o vôo para BH parte à tarde. Vou com Juçara para Inhotim. Estou ansioso para conhecer o centro cultural e matar as saudades do clima, das colinas e das pessoas pra lá de receptivas de Minas Gerais. Minas na semana santa e Rio de Janeiro no feriado de Tiradentes. Mesmo com as praias como atrativo, quero muito aproveitar o Rio para fazer um roteiro cultural por lá. Na pauta, a Casa Daros, o MAR, o CCBB e o MAM. Mas sem deixar a saúde e o bem estar de lado: a Floresta da Tijuca e o Jardim Botânico também estão incluídos na pauta. A putaria vai ficar para uma próxima (risos). E é lógico que vai ter tempo para pegar um belo bronze.

Aproveitei para almoçar com minha equipe, depois de uma reunião que tivemos para acertarmos as estreias de novos projetos para TV.  O tema preconceito surgiu de forma tão natural que acabamos colocando na roda diversos assuntos relacionados ao tema.  Seja na condição de vítima ou de algoz. Falei sobre os preconceitos ainda vividos no ambiente de trabalho. Porque existem pessoas que vivem na era medieval a ponto de não estabelecer diálogo com um gay. Pega mal, pra eles, estar próximos de um. Coisa de macho reprimido que deve se lembrar como um trauma  da primeira dedada que levou (risos).  As meninas ficaram um pouco surpresas com a minha declaração. Até gerente com quem trabalhei chegou a dizer a seguinte pérola: “...muito bom profissional, tem muitas qualidades. Só que ele é homossexual MAS isso não interfere no trabalho dele” (risos). Nos dias de hoje, lidar com situações adversas como essa soa como diversão. Perder minha energia a troco de que?  Sidênia aproveitou o gancho para falar sobre o livro Personas Sexuais, de Camille Paglia, até para fazer um contraponto à história que contei, já que o livro aborda o quanto o conservadorismo não conseguiu fazer frente à força do paganismo nas mais diversas linhas de pensamento, como a arte, o erotismo, a astrologia e a cultura pop. Gostei da pontuação dela para reforçar que não vale a pena se anular frente a essa grosseria. Com o assunto Paglia na mesa, nos lembramos das figuras pop que resistiram bravamente ao conservadorismo hipócrita de nossa sociedade. E Madonna não poderia ficar de fora. Nos lembramos das polêmicas causadas pela cantora durante as construção e consolidação de sua carreira. E olha que Madonna aprontou muito, para nosso deleite. Suas atitudes era um não a qualquer tipo de preconceito. Foi assim cantando a gravidez precoce e as dificuldades de ser mãe solteira (Papa don´t preach); o beijo profano a um santo (Like a prayer); e a criação de um sofisticado ambiente de bordel (Justify my love). Nos lembramos da célebre cena de masturbação na turnê Blond Ambition. Ela sofreu resistência de alguns países que ameaçaram prendê-la caso ela fizesse o tal número. O melhor disso é que Madonna não se intimidou e bancou a polêmica.  Todas essas mesmices do pop de hoje – de Britney a Katy Perry, têm a obrigação de pedir a bênção a ela. Assistir a um clipe ou show de uma delas é um control c control v do que eu já presenciei Madonna fazer.


E frente à caretice, na volta ao trabalho, ficamos em devaneios pela rua. Pensamos em criar, entre outras boas bizarrices o evento Miss Sodoma e Mister Gomorra. Fiquei cantarolando mentalmente uma música da Fernanda Abreu chamada Fatos e Fotos, aí eu falei que estava morrendo de saudades de Portugal, o quanto me fez bem conhecer nosso berço de civilização. Com Fernanda e Portugal veio a ideia de se fazer um programa de tv chamado Fados e Fodas (risos). Inventamos até a trilha de abertura do programa.


E para abstrair o falatório em torno do assunto preconceito, vi no Facebook uma pastora, que diz ser ex-lésbica, publicar um vídeo dizendo que foi ao Inferno e viu o vale dos homossexuais por lá. Se bem que eu acredito que ela não foi visitar o Inferno, já que ela saiu de lá. Aliás, nem o Diabo a aguentou e a mandou de volta à Terra. Pra gente ter quer aturar. 

segunda-feira, 30 de março de 2015


Não sei se é TOC ou uma mania boba, mas adoro fazer listas de top 5, principalmente quando envolve um roteiro cultural, que costumo fazer os fins de semana. Desde o início do ano, tenho registrado todos os lugares que visito, filmes que assisto e espetáculos que aprecio. Assim fica mais fácil para elaborar um texto de algo que me marcou. Está mais do que na hora de me disciplinar esse ano.


Em meio a essa falta de organização, me lembrei que fui assistir a peça “Animais na pista”, em cartaz no CCSP, a meca das bixinhas coreógrafas. É bem divertido vê-las ensaiando os passos de dança com uma música terrivelmente insuportável. E olha que nem a chuva as deixam desanimadas. Elas acabam enfrentando a garoa paulistana, sacrificando até a progressiva que fizeram. São bem empenhadas. Mas eu gosto de assisti-las, o que me faz lembrar que eu também adorava dançar e fazer coreografias nas festinhas de aniversário de vizinhos e colegas. E todo mundo adorava seguir os passinhos. Imaginei se isso acontecesse nos dias de hoje o quanto de bullyng eu ia sofrer.  Apedrejamento em praça pública seria pouco.



Comprei meu ingresso e fui a procura de uma lanchonete para tapear o estômago quando me encontro com Janjão, produtor cultural de teatro. Ele também foi assistir a peça. Adoro quando essas (boas) coincidências acontecem. Sempre combinamos de se ver pra jantar, mas com a correria, nunca dá certo. Como estava faminto, fui comer algo e me encontrei com ele de novo depois, na fila do teatro para entrar, já que a venda de ingressos não é cadeira numerada e sim sequenciada.  Tivemos que encarar o tempo até abertura da sala para nossa entrada. 

Começamos a papear até a chegada do ator Tadeu di Pietro. Ele é muito educado e ficou com a gente conversando, mas deicidiu colocar na pauta assunto relacionados ao governo. Ele trabalhou no Ministério da Cultura na gestão de Gilberto Gil e depois com Juca Ferreira. Só que ele engatou a segunda marcha e deslanchou em falar sobre política. Quer dizer, ele monopolizou o assunto.  É até interessante saber sobre os bastidores da política, ele estava munido de muita informação. Mas ele falava só sobre isso. A minha cara de paisagem já estava virando cara de caixa preta, de tão chata que estava a conversa. Entramos na sala e para minha alegria, ele mudou de assunto.

Quando li a respeito de Animais na pista, me interessei em assistir pelo fato de ser uma peça que se utilizava da linguagem do teatro do absurdo.  Foi a chance de rever o trabalho de Sabrina Greeve, uma ex aluna do Centro de Pesquisa Teatral, de Antunes Filho. As relações amorosas são o mote nessa comédia de humor negro. A personagem de Sabrina instaurou o caos emocional na relação com seu namorado e sua melhor amiga, que também fica a fim do bofe da colega rival. O duro foi aguentar o excesso de histeria no embate dos personagens, mediante a fragmentação do texto com frases curtas oferecidas ao público sob um efeito ácido. A peça teve momentos bons, mas sofreu com o efeito sanfona de se ter altos e baixos no decorrer da trama. Saí da peça reflexivo, apesar da irregularidade da montagem, me despedi de Janjão e fui pegar o metrô com a seguinte questão: vale a pena chamar alguém pra lhe chamar de seu? Se depender da peça, que mostrou de forma crua a vida solitária e sem rumo, acho pouco provável. Acho que vou precisar de um drink à base de tarja preta para refletir a respeito.


sexta-feira, 27 de março de 2015




Fui marcado por minha irmã em um comentário no Facebook, para saber se eu conhecia determinada cantora. O nome dela é Veronica Ferriani. Eu já tinha ouvido falar a respeito, mas nem me esforcei em saber sobre seu possível talento. Aí ela me disse que a artista é nossa conterrânea, ou seja, uma autêntica caipira nascida no Rancho do Planalto Ocidental, mais conhecido como Ribeirão Preto. E queria saber minha opinião a respeito. Joguei no youtube seu nome, escutei uma primeira música dela, que não me agradou. Uma voz pífia, uma mesmice de repertório pra lá de engessado. Quer dizer, minha audição já escutou esse tipo de som no trabalho de outras cantoras tão medianamente ruins quanto ela. Achei essa moça um cansaço.


E quando você pensa que acabou a fórmula de se fazer programas de viés um pouco sensacionalista pra chamar a atenção, eu me surpreendo com uma série sobre michês no canal GNT. O nome do programa é Gigolôs e o canal está exibindo a primeira temporada, que é transmitida nas madrugadas de sábado para domingo. O programa mostra o dia a dia de cinco garotos de programa bonitos, gostosos, bem articulados, que trabalham em Las Vegas, o supra sumo do luxo e do lixo. Até aí sem novidades, mas a série mostra os moçoilos fazendo o seu trabalho. Vale registrar que são cinco michês “héteros” (risos). E cada um com sua “personalidade”: tem o mais velho experiente, o educado, o carinhoso, o rapper (oi?) e aquele que tem uma mistura de etnias. Detalhe: você só os vê saindo com mulheres. E o programa mostra todo o trabalho de sedução desses garotos de programa com a mulherada. Ah, as fodas estão incluídas no pacote. Teve alguns fatos interessantes, como por exemplo, acompanhar três deles indo fazer depilação no ânus e na região que eu chamo carinhosamente de “terra de ninguém” (risos). Eles gritavam feito mariconas. Caso você seja, um dia, cliente de alguns deles, cuidado. Você pode acabar ouvindo o que não quer. É que eles também acabam comentando sobre as transas realizadas com as fêmeas carentes. Sim, eles falam mal de várias (risos). Os diálogos então são de uma superficialidade sem tamanho, mas me divirto muito com as banalidades conversadas entre eles. Teve um que disse que casamento é pior do que levar uma bala perdida.  Haja trauma para uma terapia lacaniana desvendar.


Dei uma olhada na parada da Billboard pra ver as músicas que têm se destacado nos Estados Unidos e em outras paradas musicais. “Uptown Funky”, do Mark Ronson com participação do Bruno Mars está há semanas em 1º lugar. Uma música com esse nome, mas sem funk pra mostrar. É impressionante você ver a música pop se desmanchando a cada dia. E alarmante dizer que até a música descartável anda cambaleando num certo padrão de qualidade. Das cinco músicas mais executadas, para mim, só salva “Thinking out loud”, do Ed Sheeran. Uma música de base simples, com uma letra exaltando uma declaração de amor dependente. É bobinha, sim, mas possui um clipe delicioso de assistir; Rihanna com música nova, ao lado de Kanye West e da presença especial de Paul Maccartney patina na 5ª posição há um bom tempo. Mas a música não ajuda. Aliás, acho que Paul está na música e no clipe apenas como vitrine viva; “Take me to church”, um poderoso hino contra a homofobia está na 12ª posição, uma pena, mas a canção chegou a alcançar o 3º lugar e isso não é pouco; O neo doo-wop “All about that bass” ainda está firme na lista de músicas mais executadas, outra delícia descartável de se ouvir. Para terminar minha alegria, duas das melhores músicas que conheci ano passado figuram entre as mais executadas: “Riptide”, do Vance Joy (40ª posição) e “Budapest”, de George Ezra (62ª posição). Eu as conheci em Portugal, nas minhas férias. Quando as ouço, me remeto a cada lugar, povoado e cidade que conheci em terras lusitanas. Tô com uma saudade doída de lá.


Na lista de álbuns mais vendidos, uma surpresa boa: o álbum “FROOT”, de Marina and the Diamonds estreou na 8ª posição. Aquela bobeira country da Taylor Swift vende que nem água seu último disco, “1989”, atualmente na 5ª posição. E Madonna, que estreou na 2ª posição semana passada com seu “Rebel Heart”, despencou para o 21º lugar. Para um ícone do nível de Madonna, é no mínimo preocupante. E pensar que até na parada da Billboard Madonna tombou (risos).

quinta-feira, 26 de março de 2015



Recebi um convite de Eni Cunha, uma querida produtora cultural para um sarau na noite de ontem. Fiquei feliz e empolgado com a notícia, mas ao mesmo tempo brochado, pois no mesmo dia e horário teve a estreia do documentário “7 de outubro”, último trabalho de Eduardo Coutinho, no Espaço Itaú de Cinema. Duro foi decidir onde ir. O sarau, realizado na casa de um dos integrantes do grupo Teatro Mágico,  foi para reunir a classe artística e contou com a presença do prefeito Fernando Haddad ao evento. Pensei em ir nos dois eventos mas, infelizmente, comecei a ter uma certa indisposição e tive que ir pra casa. Fiquei triste, pois queria muito rever alguns colegas e conhecer outros artistas, até para me atualizar sobre a cena cultural paulistana. Na troca de whats, pedi desculpas a Eni por não ter ido. Ela foi muito generosa em lembrar de mim. Disse que me chamaria no próximo sarau. Acho que vou mandar flores para ela. Foi uma pena não ter ido para tirar uma casquinha do Haddad. Ela falou que teve uma fila grande para tirar fotos com ele.


Como me restou ir para casa e me recompor, cheguei no apê e já liguei a tv para acompanhar o noticiário. Não tive opção e deixei ligado naquela sobra de ausência jornalística que é o Jornal Nacional. Não estava prestando muita atenção e fiquei dando uma olhada pelo celular em uma campanha que está tendo sobre racismo – o assassinato de jovens negros que tem crescido nas principais metrópoles brasileiras. E olha só a surpresa: assim que terminei de ver a campanha, vejo aquela repórter que faz cobertura de política, a Zileide Silva, com um excesso de maquiagem branca pelo rosto. Foi um choque para mim, pois ela é negra. E o mais engraçado é de que adianta esbranquiçarem a repórter se (risos) é nítido ver a negritude da jornalista através de seu cabelo. Só falta agora jogarem uma chapinha nela para virar uma genérica branca Made in Nigéria. Muito desrespeitoso.


E o governo vai a cada round apanhando nos telejornais. Achava até que estavam abusando no excesso de notícias sobre a gestão Dilma. Mas depois de ter lido que o governo brasileiro está injetando dinheiro e investimento na Venezuela, país em tremendo desmanche político e econômico, administrado por uma versão Mercosul de Herodes, deduzi que Dilma pede pra apanhar. Não dá pra ser conivente com isso. Mas estou no aguardo do gerador de desculpas do PT acionar a justificativa da vez. Espero que dessa vez eles sejam mais (bem) articulados e respondam em forma uníssone para fácil entendimento da população. Porque no episódio das manifestações do dia 15 de março isso não aconteceu. Ver os dois ministros na linha de frente para colocar os argumentos do governo frente à crise foi assustador. As falas de ambos se divergiam. Quer dizer, eles não se falaram antes de ir na coletiva de imprensa? Só faltava dizer que o tal “golpismo” estava sendo articulado pela fada do dente (risos). Como disse uma senhora num vídeo bem engraçado que vi no youtube, “lugar de choro é no pé do caboclo”.

terça-feira, 24 de março de 2015



O foco e a concentração, graças a Deus, voltaram a conviver pacificamente comigo. Para eu ler Schopenhauer em um metrô lotado, com pessoas se esgoelando com vozes estridentes, devido ao transtorno de déficit atencional que casualmente possuem para chamar atenção e eu conseguir ficar extremamente concentrado na leitura, é motivo para me dar orgulho e comemorar. O eletrochoque literário tem valido a pena. Tenho até trocado o sexo pelos livros. Se bem que (risos) ainda não sei até quando irei suportar a troca. Conversei com Helô hoje no almoço e disse que tenho sentido vontade de reciclar um pouco os meus P.As – pau amigo (risos). Nada mais propício do que aproveitar o momento para uma reflexão a respeito.


Aproveitei ontem para assistir a estreia de Os 10 mandamentos, nova novela da TV Record. Nunca prestei muita atenção nas produções que a Record faz em teledramaturgia, apesar de ter acompanhado algumas de forma protocolar. Me lembro que o remake de Escrava Isaura fez um barulho e teve o mérito de revelar  o talento do ator Leopoldo Pacheco, hoje presença constante em novelas da Globo. Teve também Vidas Opostas, que retratava na trama o submundo do tráfico com uma versão às avessas de Cinderela. Como cheguei ontem em casa disposto a ver e, dependendo da minha animosidade, acompanhar a novela, preparei o meu lanche e me pus a assistir. O que me chamou a atenção foi retratar a história de Moisés, uma das personalidades mais apaixonantes da Bíblia. Um ser que não tinha a preocupação de mostrar suas fraquezas, seus defeitos perante Deus, de forma rabugenta e sempre questionadora. O capítulo de ontem mostrou uma produção caprichada: começou com a matança dos bebês sob a ótica da irmã de Moisés, acompanhando com muito sofrimento a situação por causa da gravidez de sua mãe, Joquebede, mãe de Moisés. Me chamou a atenção um certo deslize com a caracterização dos egípcios, que tinham mais cara (risos)  de nativos de Quixeramobim do que de egípcios. A maquiagem também não ajudou muito: o sangue vermelho em forma de vinho Chalise cobrindo as costas dos escravos hebreus beiravam o amadorismo.   Percebi que a novela se arriscou um pouco na forma como conduzir a narrativa do primeiro capítulo: enquanto em Babilônia o autor decidiu no primeiro capítulo centrar fogo nas duas antagonistas, a novela bíblica decidiu dar destaque aos coadjuvantes – como a personagem Yunet, a ama de Yutmire (Mel Lisboa) a filha do Faraó, que se casa com o pretendente da mucama. Tem atores brilhantes, como Zé Carlos Machado – o terapeuta Téo, de Sessão de Terapia, do GNT, que faz o faraó Seti I. Aliás, espero que a direção dê espaço para Zé Carlos mostrar o seu talento; Mel Lisboa foi competente, mas ainda espero que ela se disponha mais como atriz, mesmo em sua breve participação. Achei que a Record acertou nas escolhas de locações para produção da novela. Ver a cena do nascimento de Moisés, com o visual do deserto de Atacama foi encantador. Mas li que a autora, Vivian Oliveira, pretende colocar “tramas folhetinescas” para causar interesse no público e é aí que demonstro minha preocupação. A história de Moisés é tão intensa que não acho necessário costurar a história com subtramas para garantir audiência. Não é preciso apimentar a novela com fatos que não existiram. Esse feitiço pode se virar contra o feiticeiro e causar evasão no decorrer da história. E estou na expectativa de ver o guapo Guilherme Winter em ação como Moisés. Tem também o Sérgio Marone que, até que enfim fará um papel que serve de oportunidade para sua maturidade como ator, fazendo o faraó Ramsés II. Resta aguardar os próximos capítulos dessa soap opera épica para ver se me convence.   

segunda-feira, 23 de março de 2015




Por mais doído que seja, e como forma de sair da minha zona des-conforto, decidi remexer alguns escombros da minha cinzenta vida. Estava mais do que na hora de fazer algumas sessões de choque para viver a vida em pé e de cabeça erguida. Não que esteja tudo desabando, mas você acaba se contaminando com fatos narrados em clima de “Cidade Alerta” que acabam te nocauteando. E tudo numa mesma panela de pressão. Crise política e econômica brasileira, o advento de uma direita política em países chaves da Europa, como Inglaterra e França – essa última aliás, o berço da “liberdade, igualdade, fraternidade”; junto ao kit, leio sobre as estratégias do Estado Islâmico em recrutar jovens – brasileiros incluídos nesse pacote mortal, em nome de uma “Força Maior”; e a manipulação perigosa do dito Quarto Poder, entre outros fatos. Enfim, situações que se mesclam com a sangria rotina do nosso cotidiano. Com todos os exemplos mostrados, essas situações me fizeram perder meu humor – uma ótima arma que gosto de utilizar para ser usada em qualquer situação, principalmente nos textos que escrevo.  Junte-se ao caldeirão relação social em alerta amarelo, com amigos e familiares. Todos esses tópicos foram necessários para eu levar um chacoalhão e pensar numa estratégia de sair desse casulo nebuloso.


A melhor forma de sair dessa zona de conforto foi retomar um horário para as leituras. Se a ideia é causar um choque, nada mais sugestivo do que ler duas figuras literárias com tremendo poder de persuasão para me dar o chacoalhão necessário: Clarice Lispector, com “A paixão segundo G.H” e “A arte de escrever”, de Arthur Schopenhauer. Comecei a lê-los semana passada e estou devorando cada palavra, cada vírgula para tentar trazer um benfeito, mesmo que de forma visceral, para causar propositalmente uma tensão necessária para uma reflexão. Schopenhauer mostra em seus ensaios que elementos como a tensão são necessários para a condução do pensamento. E a forma de conduzir a sua leitura é peculiar. Quando o leio, é como se visse ele falando, ou melhor, esbravejando justamente pra gente se sacudir da nossa bolha. Não adianta nada ficarmos com o “pensamento de si próprio”. O “erudito exemplar”, segundo ele, precisa se permitir uma certa contaminação de outras ideias para reflexão e possivelmente, uma conclusão sobre a ideia do pensamento em questão; se de um lado Schopenhauer escancara nossa fraqueza e impotência em sequer demonstrarmos nossa insatisfação em torno de uma mera ideia,  do outro Clarice sugere uma maquiagem da vida real, uma forma de nos blindagem para nossa autodefesa. Quer dizer, ela oferece a alternativa, mas questiona se de fato vale a pena ilustrar ou omitir o seu “eu real”. Pelo que li, ela demonstra encarar a realidade idealizada. É muita informação pra quem quer sair da zona de conforto, creio eu.  Estou ainda no começo das duas leituras, esperando que no final eu consiga um antídoto para dar a volta por cima e ir pra next.


Só pra fechar o texto de hoje, vi alguns colegas e, pasmem, familiares postando no Facebook um boicote à novela Babilônia, que estreou a semana passada. O motivo do boicote é para não darmos audiência a uma novela que irá “destruir os valores da família brasileira”. E o que são os valores da família brasileira? Quem é a família brasileira? Quer dizer, eu me incluo no que se chama de família brasileira. Não tenho filhos, não sou casado e isso não me faz ficar menor diante do empacotamento que se quer dar a um novo conceito de família. Querendo ou não eu sou a minha família brasileira.


Em tempos de preconceito e equívocos por parte da maioria das pessoas que infelizmente, conforme Schopenhauer diagnosticou há mais de cem anos, devido a falta de leitura, como ferramenta à concepção do pensamento, criaram-se equívocos perigosos na disseminação de ideias sem base em pensamento algum. Jogar uma informação sem sequer ler é no mínimo um homicídio intelectual. Não está em questão aqui o direito de se expressar, mas acho que cada um tem a obrigação de argumentar a finalidade de tal postagem. E o que percebi foi que nenhum de meus colegas e familiares contextualizaram o motivo do boicote. A minha opinião a respeito é que eu não acho que a novela faça “apologia ao mal”. Ela simplesmente escancara tudo que de fato acontece nessa sociedade hipócrita da família brasileira. Se essas pessoas soubesse o que é metáfora, entenderiam que Babilônia é o estado em que atualmente vivemos não só no país, como no mundo todo. A obscenidade existe? Existe, sim e está diante de nossas caras: crimes de corrupção, luxúria parlamentar, violência, um Estado deplorável e sucateado diante desse lamaçal todo de escândalos, entre outras coisas que dariam bastante texto só em exemplificar. Portanto, sem essa hipocrisia barata com o boicote.  Até agora, não vi argumento nenhum na qual eu possa ao menos refletir a respeito. Se você não quer assistir a novela, sem problemas: você pode simplesmente apertar o botão do controle remoto e ver outra coisa. Se você gosta de novela e não quer ver Babilônia, tem uma dica boa: hoje tem estreia de uma novela bíblica – Os 10 mandamentos, na Record. Garanto que vai cair no gosto desses que querem tanto a moral e os bons costumes da família cristã (risos). Ou não, já que na era de Moisés também existia corrupção, luxúria, ganância pelo poder, elementos que você encontra na trama de Gilbreto Braga. Mas como (risos) é uma novela bíblica, pode ser que faça a cabeça dessas pessoas pensantes de revista de fofocas. Mas o mais sadio seria você desligar a televisão e ler um livro, aliás um argumento bem justificável para quem não quer ver tv.

E se você que acha que gays que possuem uma relação afetiva com filhos não entram no adequado ambiente familiar, um conselho: leiam menos o livro dos Levíticos e leiam mais o Sermão da Montanha. É um ótimo ensinamento para aprender o que é respeito ao próximo.