Música, televisão, cinema, artes visuais e devaneios da vida contemporânea
quarta-feira, 12 de agosto de 2015
Combinei
com minha irmã de jantar em sua casa, num fim de semana. Pra chegar até sua
casa, na Vila Mazzei, é uma viagem expressa. Pega-se o metrô até a estação Tucuruvi e um ônibus. Uma pequena viagem de 40 minutos. Durante o percurso, me
joguei no Ipod para não ter que estabelecer relação com ninguém. Mas a três
estações antes de chegar no ponto final, sentou um menino bem interessante. Estilo Grahan Coxon, do Blur. Só que (risos) antes do alcoolismo. Com
uma criança a tiracolo. Nos olhamos rapidamente, mas fiquei na minha. Depois,
dentro daquele jogo de sedução em que você olha pra alguém jurando que a pessoa
não vai olhar e ela olha no mesmo timing, gelei e fiquei na minha, me
achando velho para estabelecer uma paquera.
Mas
o Cupido resolveu insistir para tentar fazer esta pequena criança aqui, em busca de
luz na escuridão, feliz. A uma estação, antes de chegar em meu destino, o
moleque deixou sua bolinha cair no chão. Eu olhei pra ele, que olhou pra
criança, que olhou pra mim, que me deixou sem graça e que me fez novamente
olhar e ver eleme olhando. Só que aí
todos que estavam próximos ficaram olhando para nós. Me fiz de rogado,
fiz a phyna, me levantei e peguei a
bolinha do menino. Só que (risos) o metrô deu uma brecada e eu fui parar longe.
Ainda bem que não caí. Ou não, afinal o jovem mancebo poderia ter me ajudado a
levantar. Acho que o Cupido estava em fase de experiência (risos). Quando entreguei o brinquedo a ele, novamente nos olhamos
e para quebrar o gelo perguntei se a criança era seu filho e ele respondeu que
sim, com um tímido sorriso. Tentei criar uma conexão com o menino, mas o
catarrento não quis papo. Perguntei o nome dele e o jovem pai respondeu que era
Arthur. Me levantei, pois estava agachado e tinha me esquecido que a maldita
hérnia inguinal estava criando uma situação de desconforto. Me levantei e
sentei em frente ao rapaz, que ficou fazendo graça, pedindo pro moleque me
agradecer. Só que a cria não me deu bola. Fiquei olhando para ele com ternura.
E o chibateando muito em praça pública no Irã, mentalmente.
O
vagão se abriu e não me despedi. Quando passei na catraca, dei uma olhada para
trás. O bofe estava me olhando. Saí pela esquerda, em direção ao terminal, mas
o guapo foi para outro lado. Fiquei um pouco deprimido, mas já estou calejado.
Em poucos segundos, entrando pelo shopping, vi as pessoas me olhando e
comentando a camiseta que estava vestindo. Eu usava uma bem transada, com
vários heróis e vilões da Marvel. Pelo jeito, a beasha da Thor botou o martelo
pra funcionar e levantar minha auto-estima.
terça-feira, 11 de agosto de 2015
Chegamos
ao Teatro Promon, no aguardo de “Bilac vê estrelas”. Tato foi buscar nossos
convites, enquanto sentávamos para descansar. Em frente à porta de acesso ao
teatro, que ainda estava fechada, tinha uma espécie de um negócio que não sei
bem o nome. Digamos que seja (risos) uma “intervenção” para o público entrar no
clima, na atmosfera do espetáculo: a reprodução de dois personagens da peça sem
o rosto. Bingo. Pra você adentrar ao mundo de Bilac, bastava colocar seu rosto
nesses buracos, dar um flash e pronto: poderia se divertir lindamente, postando
sua performance no Instagram. Como não
me interessei em colocar meu rosto ali, com medo dele nunca mais sair de lá,
fui tomar um café. Ju foi ao toilette
e Tato me acompanhou. Chegando ao balcão, dois atendentes, um moço moreno
canela e uma mocinha educada, porém apática. Não preciso dar detalhes para quem
eu pedi um expresso com leite, não é mesmo? Perguntei ao mancebo “tem água com
gás, gatão”? Ele sorriu e disse que sim. E me agradeceu pelo gatão. Tato pediu
um cappucino. Decidi não pedir nada e fiquei me divertindo, flertando com o
bofe. Nos sentamos, quando Juçara voltou do toillette.
Ficamos sentados, ouvindo um som alto, dentro da plateia. Como adoro observar o
que está em volta, fiquei na espreita, até que me levantei e disse a eles: “Vou
ao toillette. Não dêem a Elza
nas minhas coisas, heihn?!”(risos). Passei novamente pela cafeteria, peguei meu
expresso com leite, flertei mais um pouco com o guapo do balcão, mas já estava
um pouco cheio e achei melhor voltar ao meu acento.
Ju
e Tato ficaram tirando fotos. Fiquei sentado vendo a peripécia deles, quando me
atentei a um fato no mínimo surreal: vi um casal sentado e a mulher tirava
várias fotos deles, sempre em frente a algo. Ela tinha a missão de criar o ambiente
pra foto ficar bacana. Ficava pedindo para o marido ficar do jeito que ela
queria pra foto sair bonita. Até aí, morreu Neves. Só que (risos) ela começou a
andar com esse marido por todos os cantos do foyer, incluindo a tal “intervenção” no meio do saguão. Fez o
coitado enfiar a cabeça dentro do boneco. Mas ele era baixo demais. Ficamos
inertes vendo a cena e o desespero do moço por notar o constrangimento que
poderia estar causando. Se bem que (risos) ele não deveria ter tido esse tipo
de preocupação. É que (risos) ele era cego. Mas eu juro que não ri da situação.
Ok, ri um pouquinho, mas mentalmente. Disfarcei bem.
A
porta da sala se abriu e entramos aos nossos lugares. A Ju me contou que o Tato
tinha feito a preparação vocal da Amanda Acosta, uma das atrizes do grupo. Ela
participou de um grupo infantil famoso nos anos 80. Pausa para um nomento
insight de um devaneio nostálgico da minha infância e pré-adolescência
A
sala não estava lotada, mas cheia. Ficamos conversando, rindo bastante enquanto
o espetáculo não começava. Do nada, desceu uma tela que imaginamos que seria
para falar sobre as normas de segurança. Porém, para nosso espanto, começou a
rodar um vídeo sobre tratamento de câncer. Imagine você ir com sua família,
assistir a uma peça jovial, alegre, para colorir o dia e eles colocam (risos)
pessoas com essa doença nociva. E a cara de desolação delas. É pra traumatizar
qualquer criança que estava lá. Nada mais sutil. Realmente o bom senso foi
sepultado naquele momento.
E
o espetáculo realmente me cativou. Apreciei cada minuto da história, sem olhar
para o tempo. Fugia totalmente desse padrão horrendo de Broadway, que a maioria
dos musicais brasileiros adoram mostrar. “Bilac vê estrelas”, graças a Deus vai
na contramão dessa subserviência colonialista que temos frente ao império
ianque. É uma peça com elementos da cultura brasileira. Personagens genuinamente
brasileiros, como José do Patrocínio, Santos Dumont e o vesgo Olavo Bilac. O
enredo simples tinha tudo para derrubar a montagem, mas com uma direção impecável,
com ótimo cenário, bons figurinos, com uma narrativa ágil e elenco bem afiado
em toda a variedade de linguagens utilizadas pela trupe, seja na música, na
dança e na interpretação cênica. Foi um colorido necessário para a tarde
cinzenta e nublada que fazia.
Ao
final, muitos aplausos e elenco emocionado. Eram as últimas apresentações da
peça. Ficamos aguardando Amanda sair. Ela abraçou fortemente Tato. Estava
apreensiva em ver seu tutor ali, assistindo sua aluna. Ele rasgou elogios. Eu a
abracei e agradeci a ela pelo colorido que ela tinha colocado pra gente. Estava
visivelmente emocionada. Nem me lembrava como tinha conhecido, apesar da música
do Trem da Alegria ficar martelando durante todo o tempo que ficamos
conversando. Tem horas que a atemporalidade serve como uma brisa boa, sem a
gente se preocupar com a realidade. Que bom que a imaginação existe.
Saímos
em direção à avenida para pegarmos algum ônibus que nos levasse à região
central. Sou péssimo na geografia da cidade e não fazia idéia de onde
estávamos. Pegamos o primeiro que vimos, pra variar. O cobrador era um charme.
Perguntei ao motorista por onde ele ia e nos respondeu que entraria na
Brigadeiro Faria Lima. Tato sugeriu de descermos no ponto da estação Faria
Lima, do metrô. Tentei criar um texto com o cobrador, que dizia que era jogador
de futebol. Até queria pegar o contado dele, mas ele falava muito alto e
poderia queimar o filme. Imagine eu perguntando se ele poderia me passar seus
contatos e ele dissesse AH, CLARO QUE EU TE PASSO MEUS CONTATOS (risos). Poderia
ser apedrejado, não? Decidi deixar a imaginação fluir: com ele, com o moço do café,
com Bilac, com Tato e com Juçara. E realizando bem esse dia.
segunda-feira, 10 de agosto de 2015
Cheguei pontualmente às 16h em
frente à casa de Tato. Pelo fato de não conhecê-lo, sempre fica aquele leve
incômodo de se entrosar de forma protocolar, num primeiro momento, com uma
pessoa que você está prestes a conhecer. Interfonei avisando que estava na
porta. Eles desceram, Juçara nos apresentou. Ele me pediu para que eu tirasse
meus óculos, o que detestei fazer, afinal óculos de sol, nessa ocasião, é um
poderoso aliado. Tirei para não fazer a linha Britney surtada. Fomos caminhando
pela Caio Prado, em direção à Nove de Julho. Juçara fez a linha mediadora de
debates (risos). Ele falava de um assunto que só eles entendiam e ela
conversava com ele; Eu fazia a egípcia e fingia que estava tudo bem, mas já
pensando que nossa relação estava fadada a ir pro bueiro. Coisas de gente
dramática (risos). E fatalista, como minha amiga Ju. Também comentava sobre
assuntos nossos e ele ficava atento, me estudando.
Quando chegamos no corredor de ônibus, estava
seguro que eles sabiam que ônibus pegar. Quando o ônibus chegou, Tato foi
perguntar ao motorista se o ônibus iria até a avenida Juscelino Kubitschek. E aí eu não
entendi nada (risos). Quer dizer, se eu vou a um lugar, já me informo que
ônibus, ou metrô pegar para chegar lá. Para nossa
sorte, quando o próximo ônibus parou e Tato perguntou sobre nosso destino, o
gentil motorista disse para subirmos. E depois disso, a relação esquentou.
Literalmente (risos). Fiquei na frente com eles, na ala de “melhor idade”.
Sentei-me ao lado de Tato e Ju ficou de frente pra nós. Do nada, Tato tirou seu
cartão profissional, mas de forma bem performática: ele ateou, de forma mágica,
fogo no cartão. Eu adorei. Principalemte em ver
a cara do policial que estava conversando com o motorista naquele exato
momento. Fora o semblante de “congela!” da cobradora. Pensei que ela estava tendo
um AVC. Como falei, a relação esquentou de vez (risos)
Ficamos papeando sem nos darmos
conta onde iríamos descer. Me joguei no Goggle Map pra ele mapear o lugar ao redor. Mas como Juçara é pilhada, ela (risos) ficava toda a hora
levantando, indo até o motorista para saber se o ponto estava chegando. O
motorista deve ter nos achado no mínimo estranhos. Um bando de mambembes.
Obra de Chivitz e Minhau, nas proximidades da Juscelino Kubitschek
Enfim, descemos no ponto próximo
à avenida Juscelino Kubitschek. Paramos em frente a umas pinturas de grafite.
Eu amo grafite. Sua intervenção pop naquela região é extremamente necessária,
em contraste com a arquitetura equivocada do lugar. Fiquei me perguntando: será
que as grandes incorporadoras contratam realmente arquitetospara construir aquele monte de obscenidades que eu me
recuso a chamar de obra arquitetônica? Era um festival de horrores. A Juscelino
Kubittschek é o supra sumo arquitetônico do mal gosto. Um aborto faraônico. Mas
estávamos alegres, saltitantes e animados com a boa troca de energia entre a
gente. A jornada ao mundo de Olavo Bilac estava só começando.
sexta-feira, 7 de agosto de 2015
Depois de uma imposta reclusão, pude,
enfim, respirar o roteiro cultural de fim de semana em julho. Nem acreditava
que poderia dar minhas borboletadas pela rua, depois da trégua da deusa Hérnia. Até porque ser humano algum
aguentaria ficar sem o mínimo de prazer. Já estou pagando meus pecados pela
diminuição da libido. E ainda ter ficado em repouso por dias. Não pensei duas
vezes e apelei para minha santa de devoção, Santa Rita de Cássia, padroeira das
causas impossíveis. Pedi para ela deixar eu voltar a dar minhas perambuladas
culturais. Depois de alguns dias (ela gosta de me torturar um pouco) ela
aquietou a hérnia. E eu pude sair da toca. Achei que ela não me atenderia, pois
é temperamental. Acho que (risos) a chaga da testa dela não estava latejando
tanto.
Com o friozinho que a cidade
estava semana retrasada, tinha já combinado durante a semana com Juçara para
irmos ver uma peça. Ela queria me levar para assistir “Bilac vê estrelas”. É um
musical. E eu, digamos, não sou fã de musical. Mas para controlar minha
intransigência – com medo de ser castigado pela Santa de devoção, aceitei o
convite. Combinamos de nos encontrar na casa de um grande amigo dela, o Tato.
Ele é preparador vocal. Disse que iria almoçar antes e que me encontrava com
eles às 16h. Ju sugeriu que eu passasse na casa de Tato para pegá-los. Me
colei, ao som de um música que namorava perfeitamente com o clima bucólico que
a Paulicéia se encontrava no pós feriado de 9 de julho.
Na pressa, fui ao pátio
Higienópolis almoçar no Galetos. Sabe quando você fica com aquele gosto na boca
de um determinado tipo de comida e que só essa comida irá te saciar? Pois bem,
caminhei até lá para degustar o clássico galeto da rede. Quando cheguei estava
lotado, mas o mâitre rapidamente me atendeu e me colocou numa mesa bem
estratégica por sinal. Mas só tinha ebó de encruzilhada. Ninguém de
interessante. Tinha um casal de bichas velhas com aquele ar blasé. Elas não se falavam. Por falta de
assunto, começaram a ler os meus jornais. Só que eu ainda estava lendo. É tão estranho duas pessoas que possuem uma
relativa convivência não conversarem. Nem no celular mexiam. Quer dizer, acho
(risos) que eles nem sabem mexer no whatsap. São as agruras da intelectualidade
dos “filisteus da cultura”.
Santa Lady Gratham, rogai por nós
Foi aí que avistei uma pessoa de costas e
deduzi que a conhecia. Era Rosana, gerente de Ação Cultural do SESC. Fui até
sua mesa cumprimentá-la. Ela estava com sua mãe, que é uma fofa. Disse um oi e
ela retribuiu dizendo que já tinha me visto e que me daria um beijo na hora de
ir embora. Já estava pagando a conta. Sua mãe queria pagar, mas eu falei para
ela deixar a filha mimá-la. Quando voltei
para minha mesa, me lembrei que o primeiro projeto que cuidei quando
entrei no SESC foi com ela, na última edição do Movimentos de Dança. Foi um belo aprendizado. Principalmente porque
eu não sabia nada de dança. E foi aí que conheci a Juçara, por telefone. Ela é
um patrimônio histórico na história da dança em suas mais variadas vertentes –
clássica, moderna, contemporânea. Me deu uma senhora contextualizada sobre o
que é dança. De Merce Cunninghan à Marika Gidali. De Isadora Duncan, passando
por Trisha Brown, Pina Bausch e Hulda Bittencourt. Foi uma delícía de áudio
aula. Trabalhamos juntos anos depois no teatro do SESC Vila Mariana. Fui chefe
dela na coordenação da programação do teatro. E nos divertíamos horrores. Foi
lá que recebemos inspiração para criarmos alguns personagens que já cheguei a
comentar aqui no Diário (quer saber das nossas performances? clique aqui http://omundodelira.blogspot.com.br/2015/04/brumadinho-inhotim.html.)
Depois de saborear um belo
galeto, acompanhado de um bom vinho alentejano, fui caminhando pela avenida
Higienópolis, rumo à casa de Tato. Estava feliz por voltar a caminhar,
contemplar a arquitetura dos belos prédios, enfeitados por uma bela paisagem
arborizada. E eu nem imaginava no belo presente que foi esse dia, na volta do
insofismável roteiro cultural. (continua)
quinta-feira, 6 de agosto de 2015
Enquanto assistia à final da Copa
Libertadores da América, entre River Plate, da Argentina e Tigres, do México,
recebi a visita surpresa de Max. Quis passar em casa para dar um “oi”. Só que
eu não estava a fim de receber visita nenhuma. Detesto esse tipo de surpresa.
Afinal, estava vendo o jogo e dando uma organizada na minha agenda. Aí tive que
parar de escrever e deixar de ver o jogo, para dar atenção ao moço. Foi
engraçado a forma como nos conhecemos, no mês passado. Tinha descido para
comprar pão na padoca e passei antes na banca de revistas para comprar jornais
e revistas. Enfim, algo para me entreter, já que estava de resguardo por causa do
meu “desgaste gastro muscular”. Dando uma folheada na revista Kaza, percebi que
estava sendo observado. Nessas horas, meu sétimo sentido bixístico instala um
olho até no rabo, para fazer um mapeamento ao redor. Percebi um jovem rapaz
dando uma bela encarada. Retribuí com um sorriso e dei meia volta, quando ele
me abordou. Foi rápido e me perguntou se havia uma padaria perto da banca. Eu
indiquei uma padoca bem ruinzinha, mas logo me arrependi. Ele achou graça
quando mencionei a palavra “padoca”. E eu me perguntei se ele morava em Urano,
afinal todos sabem o que é uma padoca. Sugeri outra na Baronesa de Itu.
Deu um sorriso maroto e me convidou para tomar um café com ele. Fiquei sem
saber o que fazer, pois não podia caminhar tanto. Só se (risos) ele me
rebocasse. Por fim, resolvemos tomar um lanche no estabelecimento sofrível
perto de casa.
A conversa foi bem agradável. Ele
tinha boa desenvoltura pra idade dele, o que já me fez desconfiar. Quando a
esmola é muita, o santo tem que
desconfiar, sim. Falou que tinha acabado de voltar ao Brasil. Sem deixá-lo
terminar seu raciocínio, perguntei por que diabos ele decidiu voltar pra essa
terra de ninguém. Aí ele me respondeu que tinha feito intercâmbio na Irlanda.
Dei uma risada e brinquei: “ah, a terra dos duendes”. E ele (risos) ficou sem
entender o que eu disse. Como vi que era meio burrinho e percebi que a
impressão que ele quis causar era mera maquiagem, relaxei e continuamos o papo.
Ele gentilmente pagou a conta e me levou novamente pra casa. Como ele andava
rápido tive que dizer a ele que estava com “dor nas juntas”. Andamos devagar e
ele me deixou em casa. E
o resto, fica nas entrelinhas.
Voltando ao dia do jogo, ele
subiu para dar um oi. Como também gostava de futebol, vimos um pouco o jogo.
Disse que odeia os times da Argentina. Mas eu estava torcendo para o River
Plate. Perguntei que time ele torcia e quando ele me respondeu que era
são-paulino, decidi relevar o atrevimento dele contra nosotros hermanos. Com o time tricolor em comum, colocamos na pauta
mais um capítulo de qualquer livro de Camile Paglia. O problema é que (risos)
ele tinha falado para o primo dele que ia passar no supermercado. Perguntei a
ele se por acaso tinha justificado para o tal primo que iria comprar “chouriço com
ovos” (risos). Ele não quis perder tempo com a réplica. Entrelinhas strikes again.
Feito o “fato consumado”,
continuamos a conversar e do nada, com minha veia jornalística, comecei a
entrevistá-lo. Me deu vontade de fazer o que Andy Warhol fazia nos anos 70:
levava seu gravador para registrar algum papo com alguma pessoa que ele achava
interessante, seja lá onde ele estivesse. Max ficou reclamando da poluição
de São Paulo que está em situação
crítica. Ele não parava de ter corizas, chorava feito porco pelo nariz. Sem
perder a concentração na “entrevista”, perguntei se ele namorava alguém. Meio
sem jeito, respondeu que era casado. Perguntei quem era a felizarda e então,
com os tambores e as trombetas rugindo, respondeu que a felizarda era uma travesti.
E a faminta catou ele quanto tinha apenas 17 anos! Essas perigosas realmente
não dormem em serviço. Num rápido flash, juntei toda sua historia de
intercâmbio e voltei a achar tudo muito suspeito. A trava estava com ele na
Irlanda. E não foi lá para vender Tupperware,
né? (risos)
E o River meteu 3 gols no Tigres.
Só assim para me recompor.
quarta-feira, 5 de agosto de 2015
A
hérnia minha de cada dia demorou para dar uma trégua nesse mês enfadonho que
foi julho. Com a descoberta da dita cuja, cheguei a ficar acamado e dias de
repouso, além de idas ao hospital. O pior de tudo é que não há remédio para
sanar ou pelo menos amenizar a dor. Também com um nome desses como doença. Não parece nome de alguma deusa da mitologia
grega? Hérnia,a deusa da inconveniência (risos). E da falta de libido também.
Como ela me faz querer mijar toda hora, fica difícil conciliar o tesão com as
vias urinárias urrando para sair o jato. E aí sai aquele pingo de xixi. Já é o
preparo para me acostumar com a (risos) incontinência urinária na 3ª, 4ª,
última idade.
Como
não posso fazer esforço físico, tive que dar um tempo com a atividade física.
Tinha voltado dois meses antes da “grande descoberta”. Sim, eu voltei mesmo a fazer condicionamento físico. Consegui
uma vaga no SESC Consolação e estava super feliz e animado com os exercícios
dados pelo meu instrutor. Ele é uma graça. Se chama Vinícius. Logo na primeira
aula, ele me perguntou o que queria e eu pensei: “quero você” (risos).Disse que queria apenas perder uma gordura
localizada na barriga e alguns exercícios que não me fizessem enjoar de ir à
academia. Ele sacou logo o que pedi e fez uma sequência ótima de exercícios,
priorizando os aeróbicos. Ficamos conversando sobre viagens e falei que estava
muito a fim de conhecer a Chapada das Mesas. E olha só a estranha e boa
coincidência do momento: ele nasceu em uma cidade – que agora não lembro o
nome, ao sul do estado do Maranhão, próximo a Chapada. Me deu ótimas dicas. Mas
a que mais gostei é de que há uma linha ferroviária de Imperatriz até São Luís.
E eu adoro viajar de trem. Acho uma pena o Brasil não investir em linhas
ferroviárias. Adoro sentir aquele vento quente estapeando a cara, enquanto se
contempla a paisagem (no caso) semi-árida do Nordeste. O Brasil nos permite
enxergar a beleza em seus contrastes, seja nas águas verde-esmeralda do litoral
nordestino, ou na caatinga do cerrado centro-oeste. Em qualidade de paisagens,
a beleza do Brasil é plural.
Praia de Tourinhos - São Miguel do Gostoso -RN
E
ontem, zapeando rapidamente a insossa TV paga, dei uma zapeada no programa
“Papo de segunda”, no GNT. Marcelo Tas fez um acerto em sair daquele sofrível
CQC. Para o CQC voltar a ser o que era, só injeção de adrenalina na veia. Se
bem que programas de humor, de forma geral, tem pecado pelos roteiros
deprimentes e pela forma desses roteiristas menosprezarem nossa inteligência.
Programa de humor com excesso de produção e falta de humor? Alguém ressuscite o Chico Anysio, pelo amor de Painho!
Voltando
ao Papo de segunda, o programa é bem estruturado, com ótimas colocações dos
convidados em questão. É ágil, sem perder o fio condutor do assunto em questão
para não deixar o telespectador sem entender do que está falando. Isso se chama
respeito. Ponto para eles. Léo Jaime, Xico Sá e o guapo João Vicente Castro tem
uma ótima química. E Marcelo Tas tem liberdade garantida para provocar os
meninos. Em um dos assuntos, a nitroglicerina do dia em questão foi a prisão do
José Dirceu. E o Marcelo Tas perguntou: “José Dirceu foi preso. Mas como assim,
um preso receber ordem de prisão?” E o João Vicente com sua rapidez de
raciocínio falou que (risos) no caso do Dirceu, um preso que estava indo preso significa
que os outros presos não poderiam fazer visita a ele. Eu quase me comovi
(risadas malignas).
terça-feira, 4 de agosto de 2015
Não escrevo no blog desde abril
de 2015. Poderia relatar justificativas para maquiar umas situação, mas na real
fiquei com um certo bloqueio em compartilhar a intimidade do dia a dia. Na
verdade, escrever sobre o cotidiano, sobre as pessoas de meu convívio e até
aquelas que sem saber se tornaram pauta do blog, me deixou com uma sensação de
desconforto, pois me despia diariamente, o que me fez sentir bastante
vulnerável. E acredito que não só eu como muitos se incomodam quando a ideia de
se desnudar nos faz correr o risco de escancarar nossa fragilidade. Colocar
nossas fraquezas é necessário para evolução da espécie humana. Mas demorou
bastante para eu acordar e ver o quanto isso me fez bem, de uma certa forma.
Precisei voltar ao meu casulo pra concluir o quanto que mostrar minha
fragilidade foi um bem necessário. Perdi muitos assuntos para comentar. Fui
testemunha de muitas histórias engraçadas que aconteceram em diversos espaços e
tempos. Tive perdas, algumas descobertas um tanto incovenientes, mas sempre sem
perder o bom humor, para o bem da minha pele. E para dar um restart (risos), uma música para
relaxar o esfíncter e tentar resumir alguns assuntos que passaram como uma
poesia de Mário Quintana, na qual me dou o atrevimento de me inspirar:
Eles passaram.
E eu, passarinho.
Sigo firme e forte na terapia.
Ela tem me ajudado bastante a refletir sobre o stress da modernidade tardia (sublinhei
pra pegar emprestado essa citação de Nietszche). Tenho me tornado menos
intransigente com as pessoas. Em contrapartida, tenho refletido sobre o
conceito do que de fato é amizade para mim e para meus amigos. Ou para os que
apenas dizem que são. É impressionante você ver o tamanho do egoísmo das
pessoas. Elas não se interessam nem um pouco pelo que você faz ou deixou de
fazer. Elas já despejam o entulho que elas mesmas criam e acham que você tem a
obrigação de limpar. O que elas pensam que sou?
A Tangina, de Poltergeist?! Então decidi colocar como mantra para lidar
em minha relação com meus amigos dois ditados: 1 – não alimento mais nada que
não seja recíproco e 2 – vou trata-lo(a) da maneira que ele(a) mereça ser tratado(a).
Se isso vai fazer um bem para elas, eu não sei e também não me importo. O
importante é que seja bom para mim. E tem
me feito muito bem.
Nessa ausência em escrever,
centrei esforços para a leitura. Tenho lido muito, já que a televisão não anda
ajudando muito, no que diz respeito à qualidade de sua programação. É
lastimável você ver a TV despejar, impor um pacote de porcarias que beiram ao
suicídio coletivo. E eu estou falando da TV paga, porque a TV aberta já está
sepultada há tempos. Como diz minha avó, “está puxado, viu”(risos). Depois de
Clarice Lispector e Schopenhauer, comecei a ler “Tratado sobre a Tolerância”, de
Voltaire. A situação do incômodo foi latente e me deixou bem apreensivo,
tamanha a atualidade e força que o ensaio desse grande pensador possui. Tão
necessário para os dias de intolerância que vivemos, devido à ignorância das
pessoas em distorcer e/ou omitir a verdadeira informação. E graças a...bingo! Falta
de leitura. E de educação. São as ironias da modernidade tardia.
E pra completar, descobri mês
passado que tenho uma hérnia inguinal bilateral. Chique o nome, não?! Estava
tendo alguns sintomas e decidi ligar para Manu, um querido amigo médico. Pela sua experiência, pediu para fazer
alguns exames específicos. Ele já deduzia que se tratava de uma hérnia, mas
achou melhor averiguar. Cheguei a ficar acamado, com febre e dores. Além da
inguinal, tenho uma hérnia umbilical também. O pacote hereditário de defeitos
começou com o pé direito, com a quase chegada da idade da loba. Mas se tudo der certo, entro no bisturi esse
mês pra retirar tudo e ficar soltinho pra me recuperar bem, afinal setembro
está chegando e estarei de férias.
E de resto, meu diário estará
aberto. Não sei se todos os dias. Mas
garanto que o medo de ficar vulnerável passou. No caminho de volta para casa
ontem, peguei o metrô, que aliás, estava um cheiro insuportável. Fedendo perfume Tabu com queijo curado da
Serra da Canastra (risos). Me joguei nos “Sermões” do Padre Antônio Vieira e o
texto falava de confissão. E foi inspirado no sermão desse sábio senhor, que me
motivei a voltar a escrever o blog. E que essa motivação tenha duração a longo
prazo. Assim espero.
E pra fechar a (risos) terapia de
hoje, termino com uma notícia um tanto curiosa: com a prisão de José Dirceu, li
que (risos) vários petistas farão hoje uma vigília em frente ao Supremo
Tribunal Federal por causa de sua prisão. Mas desde quando que o Supremo virou
Igreja? Aí eu não me aguentei e fiz o seguinte comentário: “Vigília pra que?
Por acaso eles vão rezar um Terço? Se bem que (risos) no caso de Dirceu, vai
ser preciso muuuuuuuuuuuitos rosários meditados. Que Deus tenha complacência de
sua alma. A dele e de toda máfia que ele criou.