sexta-feira, 13 de setembro de 2019




Fortaleza. Wellington estava à minha espera no aeroporto. Que bom que foi tudo rápido, ele estava com o cartaz com meu nome, logo acenei e nos cumprimentamos. Apesar da tranquilidade do vôo, queria ir logo para o hotel e descansar. Estava levemente irritado pois um dos meus ouvidos estava entupido por causa da pressurização no avião, durante a descida. Antes de sairmos, pediu para que eu segurasse meu cartaz. Como não sabia do que se tratava, fui educado e segurei. Para ele tirar uma porra de uma foto. “Vou te mandar pelo whats”. Retribuí com minha cara de canal deferente.



O carro estava próximo. Wellington deu a partida e fomos em direção ao hotel. Me perguntou como foi a viagem e falou um pouco do roteiro que iria fazer, que foi uma ótima escolha. Como iria ficar um dia em Fortaleza pedi dicas culturais. Me indicou o centro cultural Dragões do Mar, que ficava inclusive na rua do hotel. Na chegada do hotel, nos despedimos e ele ficou me esperando entrar. O hotel de apenas 3 andares estava sem nenhuma iluminação e isso me causou um desconforto. A porta automática não abria, o que me restou dar um murro britânico nela. Foi o suficiente para ouvir o recepcionista cair do sofá. Ele estava cochilando. O segurança do hotel também estava no décimo sono. Quanto desperdício no escuro (risos).




 O atendente perguntou meu nome umas 3 vezes. Brinquei com ele perguntando se ele não queria uma ritalina e o ingênuo responde “que já era casado” (gargalhadas). Falei para ele acordar, que ritalina não era uma pessoa. Com a chave em mãos, fui conduzido pelo segurança, que me levou até meu quarto. O mais gozado foi o processo até a chegada. Como vi que o hotel tinha apenas 3 andares, deduzi que era pequeno, só que não. Primeiro passamos por uma porta automática, uma espécie de abre alas de presídio. Depois  viramos à esquerda, dobramos a direita, andamos em um corredor extenso, subimos dois lances infinitos de escada e voilá: meu quarto estava na minha frente. Me deu uma certa tontura, foi como se eu estivesse no jogo do Pac-Man. Um labirinto só.

Dormi pouco e acordei para o café da manhã, que ia até às 9h. Mesmo no mal humor(detesto dormir pouco), dei meu bom dia para a funcionária, que sequer me cumprimentou. Na verdade, ela deu um bom dia bem ríspido, que dá na mesma. Desencanei e fui tomar café. Pedi para a funcionária mal humorada com cara de semente de bucha me fazer uma omelete. Tudo indo bem, até começar a ouvir a dita cuja cantando hinos de louvor. Mais uma daquelas evangélicas pentecostais de brechó: vai na igreja, mas não dá testemunho algum de sua vida no cotidiano. Louva a Jesus. E arrota Satanás. Se eu fosse Deus eu a transformaria numa estátua de sal, como a mulher de Lot, na Bíblia. Esses pentecostais são um perigo. Se eu fosse o pastor deles, garanto que não os deixaria sair sem uma focinheira (risos).



Café tomado, fui me trocar quando senti falta de algo inseparável: esqueci meu óculos no apê, em São Paulo. Já me deu aquela quentura de raiva.  Óculos pra mim é parte do meu corpo. Tive que mudar meus planos de praia mais roteiro cultural para comprar um. O calor aumentando e o dia só começando.

quinta-feira, 12 de setembro de 2019



São Paulo – Guarulhos – Fortaleza. Aproveitei o dia D de abertura das mesas de trabalho para o início das viagens e me organizar: roupas sujas a lavar, pagar contas atrasadas, retirar dinheiro para qualquer eventualidade durante o roteiro da expedição e terminar de fechar minha segunda viagem para uma das cidades mais antigas, na região sul do país (vou detalhar aqui depois, já que o blog segue a linha cronológica dos fatos). Combinei com Sidnei, o taxista, para me buscar às 20h30. Sempre gosto de chegar com bastante antecedência no aeroporto para dar tempo de comer algo e tomar um café. Quer dizer, na verdade é uma desculpa para não entregar que eu sou neurótico em perder o flight e chegar, sim, com 400 horas adiantado. Em uma cidade caótica como São Paulo, isso é caso de sobrevivência. E pelo jeito eu não fui o único a me preocupar. Sidnei chegou 30 minutos antes do horário combinado e ficou me aguardando. Bem que poderia ter me avisado, assim eu o convidaria a subir. Estava no apetite para experimentar um “chouriço com ovos” (risos).




Saímos pontualmente às 20h30. Sidnei é um querido, fomos conversando bastante no trajeto até o aeroporto de Cumbica. Por educação perguntei como ele estava e de repente fomos transportados na minha imaginação a um divã. Ele estava reclamando da questão financeira, do aumento da frota da empresa de táxi que ele trabalha e o quanto agora está mais concorrido ganhar uma grana. Como estava “Pra lá do Mundo de Alice”, encarnei a Ala Szerman da psicologia  e comecei a dar atenção ao papo. Ele tem trabalhado 12 horas por dia para garantir o sustento de sua família. É jovem, mas o excesso de trampo o deixou com uma aparência mais fragilizada. E aí tive a pachorra de diagnosticar o jovem mancebo de que isso era “falta de fazer alguma atividade física”. Ele me olhou fixamente no olho com aquele semblante de “OI, POKEMON AUTISTA EVOLUIDO!?” e rapidamente mudamos o assunto para falarmos de (risos) esportes. Entenderam como a Ala Szerman foi essencial para mudarmos a pauta?



Não, Ala Szerman não é um palavrão. Dê um clique pra ver


Chegada em Cumbica às 21h20. Para revidar, Sidnei me cobrou um pen drive com algumas músicas que tinha prometido a ele. Fiz a linha fingida no esquecimento, dizendo que iria gravar e ele simpaticamente retrucou: “Mas dessa vez é pra valer?”. Disse em tom de brincadeira que sim, que não fazia tanto tempo que ele tinha me pedido e rápido como um Flash completou que faziam dois anos e sete meses. Ele teve o direito a dar sua devolutiva e eu consenti. Ficamos quites.

O check in foi rápido. Porém, antes de chegar na máquina para retirada da passagem, um bofe lesado e sua namorada gorda com cara de detenta - além de flácida, me abordou e fez uma pergunta, mas não entendia nada do que ele falava. Acho que sofria de “delay” (risos). Era tudo muito estranho, parecia que estávamos em uma cena de filme no formato slow motion. Aí ele ficou olhando para a namorada, que estava com cara de quem cheirava a merda e os dois ficaram um olhando para o outro e para mim. Aí eu soltei um “No compreendo, señor”, virei as costas e retirei minha passagem. E não é que eles acreditaram?



Fiz uma pausa para tomar um café e comer dois paninis na Casa do Pão de Queijo. Sentei num lugar bem estratégico para ver o movimento quando começo a escutar uma mulher dando um escândalo com um funcionário, junto com o namorado, aos berros. Ah, como foi bom saborear meu café enquanto tive o privilégio de ver a  missiva junto com o imprestável do boy correndo, aos prantos para não perder o vôo. E não me chamem de maldito porque todo mundo A-Do-RA ficar de camarote para presenciar um barraco. Como a fauna brasileira me diverte. Pausa para me jogar em um som bem alto astral no Spotfy, enquanto aguardava o embarque.


O vôo saiu 25 minutos atrasado. Escolhi a poltrona 10C e tive a sorte de sentar-me ao lado de uma querida. Cordialmente nos cumprimentamos, ela estava com sua mãe. Quer dizer, não nos comunicamos o tempo todo do vôo. Logo, a achei agradável.

Durante o vôo, devorei a revista da Azul. A pauta estava ótima, mostrando um roteiro para fugir das capitais. Um dos destinos foi o vilarejo de Santo André, próximo a Porto Seguro -  o paraíso da (risos) “middle class” acéfala brasileira. Só pra resfrescar a memória, o local foi escolhido para acolhida da seleção alemã durante a copa do mundo aqui no Brasil. Acredito que a brisa marítima baiana fez um bem tamanho a eles. Que o diga os 7 x 1 enfiados no rabo  da seleção brasileira. A matéria contemplava também lugares diferentes e pitorescos da região e destacou o restaurante da minha querida Maria Nilza, que possui uma barraca na praia de Guaiú. Fica bem nas proximidades do vilarejo e foi bem merecida a menção.
Pra passar o tempo, peguei meu HQ dos Novos Titãs, que acabei nem lendo inteiro. Aterrisamos às 3h em Fortaleza. Como não tinha mala despachada, me encontrei rapidamente com Wellington, o motorista que me pegou no aeroporto para me levar ao hotel. A viagem está apenas no prólogo. Amanhã tem mais.



quarta-feira, 11 de setembro de 2019






Enfim, férias. Confesso que achava que o tempo iria dar um “congela” em agosto, só para minha ansiedade entrar no modo turbo, mas para minha surpresa setembro chegou trabalhado no Flash. Ou o tempo agilizou na minha cabeça apenas, devido aos sustos tidos nos últimos dois meses com a saúde. Pela primeira vez, a ficha caiu, a água bateu no esfíncter e a dita imortalidade  idealizada só na vida de Thor, Odin, da toxicômana da Loki e o universo de Asgard. Quer dizer,  por mais que a gente diga nas rodas de conversa com amigos de que a  vida é só uma, nunca pensamos que, concretamente, alguma coisa vá acontecer conosco.

E justamente pelo status quo da vulnerabilidade nossa – ou melhor, minha – de cada dia, minha primeira semana de férias foi para resolver todas as pendências  médicas, com o retorno às consultas, depois de um período repleto de exames. Até debutei em alguns. O pior não é debutar. O pior é saber que você está começando a ficar ancião em saber que seu corpo incorporou o retorno de Saturno e de agora em diante vai te cobrar por todos os excessos que eu causei. Já dei o play para iniciar o nível  junior de velhice.




Meu gastro, o Dr, Fabio, me deu um pequeno susto ao deparar com uma pequena preocupação. Imagine a uma semana para começar as viagens que fechei com tanto esmero e você ali sentado na frente do franzino e assexuado médico, já esperando aquela frase de efeito “Você está ótimo, aproveite suas férias” e de repente, surge o texto “Você precisa ir num vascular ainda essa semana, seu tronco celíaco está 1cm maior”.  E eu, com minha cara de moderado retardo mental pensei “Whatta fuck is tronco celíaco”? “Ah, é apenas a aorta abdominal” (APENAS?). E lá vai eu, pensando sempre de forma catastrófica, agilizando para não viajar encanado, mas já estando encanado e borboletando criativamente em minha mente como seria minha volta de viagem num caixão. Que falta faz uma psilocicina nessa hora.




Marquei consulta com a Dra. Lígia. A sala de consulta está mais informal, você fica sentado ao lado do médico, pra criar certa informalidade. Quando cheguei e falei tudo que estava acontecendo, enquanto olhava meus exames,  ela me olha e diz: “Você precisa ir num vascular”. Olho pra distinta e digo “E você, não é?”. “Não, sou cardiologista”. “Mas não é a mesma coisa”? E na aula de hoje aprendi que NÃO, não é a mesma coisa. Que bom que fazer cara de quarta parede nessas horas nos faz ficar menos envergonhado. A sorte é que a Dra. Lígia conhecia o Dr. Fabio. Ela foi uma graça, apesar de parecer com a atriz de “A maldição de Samanta”. Vendo a situação como estava, pensei: “Acabar minha vida como um filme tipo B? Nem muerta”. 

Quer saber mais sobre o filme? É só dar o play. Não é pra rir, tá?

                                                                           
Pra resumir, no bate rebate, falei com o médico vascular, o Dr. Ricardo, uma la-sa-nha de homem sênior (aparenta uns 60 e alguns anos) beeeeem guapo que me tranquilizou sobre o que ele estava vendo no exame. Mostrou o que estava me incomodando e que a única forma de resolver seria observar, solicitando exames daqui dois meses.


E eu estou linda aqui no Ceará para uma expedição histórica e ecoturística  que vou compartilhando por esses dias. Se a vida for pra terminar como um filme, que seja como em uma comédia de costumes de Woody Allen. Ou então um pornô do Brasileirinhas. Com a participação especial do Dr.Ricardo. Siririca Reloaded.

  

sexta-feira, 3 de novembro de 2017




Finados sempre me pareceu um feriado insosso. Lógico que é ótimo poder folgar, descansar ou dar pinta, se preferir. Mas acho que o hábito de ir a um cemitério, fazer sua reverência e se lembrar dos entes queridos, tem se perdido a cada ano que passa. Pelo menos aqui em São Paulo tenho essa impressão.




Quando era criança, lá no Rancho chamado Ribeirão Preto, seguíamos todos os anos no ritual mórbido de visitar os túmulos de meus avós maternos e de meu avô paterno, que infelizmente eu não conheci. Meu pai sempre zelava pela lápide de meu vô, deixando o túmulo um brinco. Eu me importava mais em ficar brincando no cemitério de esconde-esconde com meus primos, até me enjoar de ficar por lá e começar a fazer uma cena a la Stanislavski, fazendo cara de ânsia de vômito e me contorcendo para ver se minha mãe se sensibilizaria para irmos logo embora. Lógico que ela dava um “caguei”. Por pura provocação, eu revidava: vendo ela chorando pela perda de minha vó (eu também senti muito, era grudado com ela), eu ficava na frente – mas não muito (risos), dela, dando um belo sorriso cínico, dizendo “como a senhora é boa atriz”. Lógico que tudo isso de forma apenas telepática (risos). Ela me aleijaria, caso percebesse com um simples olhar de quina , se eu teria a pachorra de olhá-la dessa maneira. Cemitério pra mim, hoje, só com open bar, acompanhado de “Alicinha Cavalcanti”, numa rave. Pra lá do Mundo de Alice, ouvindo bem alto Paco de Lucía.



terça-feira, 31 de outubro de 2017



Não sei se é a volta à normalidade, depois de regozijar um período de férias, mas ando com uma falta de vontade de otimizar meu tempo para fazer alguma coisa. Me programar em fazer um roteiro cultural, por exemplo, era algo primordial, até para não ter a sensação do final de semana de folga ficar no vazio. Atualmente, minha vontade é de não fazer nada, curtir minha casa ouvindo uns discos e lendo livros. Mas em alguns momentos acabo trocando a companhia de um Bob Dylan e de uma Clarice Lispector por futilidades nas mídias sociais. Trocar um poema de Rimbaud por vídeos mal feitos de pessoas se sacrificando por um bom cachê, para ter seu momento de subcelebridade. Aliás, o termo subcelebridade nunca foi tão implorado por esses anônimos sem conteúdo, como agora. Minha nossa, sirene de pânico gritando. Preciso voltar à terapia e a tomar Welbutrin. Urgente. (risos)



Neste fim de semana passado foi meu plantão de trabalho. Num “toma lá, dá cá” de cena de série teenager , entrei rapidamente na sala da administração – onde ficam todos os setores do Sesc Osasco, bem no estilo redação de jornal, que eu adoro. Vi Khalfani dando sua risada-mental-mas-contida-na-leitura-facial, apenas o observando, como uma lince. Enquanto imprimia o texto de anúncio do espetáculo, que começaria dentro de 10 minutos, Khalfani sorria pois estava meio passado com o que estava assistindo. Sem delongas, perguntei qual era a graça e aí me mostrou  o vídeo. Era o mais novo “youtuber” conhecido – pelo menos para nós: Emerson, um colega de trabalho. Como estava na pressa, não prestei atenção, apenas perguntei por ele e Khalfani me olhou surpreso na linha "oooi?" e falou que Emerson tinha pedido demissão. Enquanto saía da sala, fiquei indagando se ele tinha saído do trampo para investir em sua “carreira”, o que seria um atestado de insanidade nos dias de trevas que estamos passando, economicamente e politicamente falando.





Quando cheguei em casa à noite, entrei no Facebook na página de algum amigo que teria a possibilidade de ter o Emerson como amigo. Procurei e achei. Acessei o vídeo: ele tem um canal no youtube chamado “Bíblia, Arte e reflexões”. E pelo que entendi ele fala de bíblia,  arte e (risos) reflexões. Como ele destaca bem os caracteres do vídeo, colocando o tema a ser discutido, vi um assunto que me interessava: os 500 anos da Reforma Protestante. Dei o “enter” e comecei a assistir. Com uma chamada do programa produzida de forma caseira. E ele começa sua apresentação, dando o seu “a paz do Senhor” (Amém), com aquele “R” bem enjoado de Tatuí (risos). Com a ajuda de um “mano” dele que participa no vídeo, dão um breve histórico do início do cristianismo, com a Igreja Primitiva. Passam por meados do século I, para contextualizar o surgimento da Igreja Católica por um decreto do Império Romano (só para registrar, o mesmo império que matou, junto com os jud...quer dizer, fariseus, Jesus de Nazaré, grande ícone cristão...dos católicos). O catolicismo se institucionaliza como Igreja Católica, Apostólica Romana, igreja que abraçou pra si as influências da igreja primitiva cristã  e do paganismo. Surprise! (risos) 


Como estava “pra lá do Mundo de Alice”, dei um pause e refleti a respeito. Num sopro de vento cantante entrando pelo meu quarto, pensei no quanto na ICAR (preguiça de escrever o nome inteiro da igreja, sorry), dentro dos relatos da história mundial, os sacerdotes católicos em nome de Deus torturaram, queimaram, assassinaram multidões, acusando-as de serem “pagãs” por não serem - e nem queriam ser, deduzo eu -  católicas. Soa em meus ouvidos como uma ironia mórbida do destino, concordam? A Igreja Católica realmente distorceu os princípios básicos do cristianismo e se batizou no “lado negro da força”. Realmente uma pena Santo Agostinho ter abraçado a causa. E São Benedito. E Santa Rita de Cássia. Deus Pai, por que eu não desato esses nós? (risos)




Continuei assistindo a conversa e a uma certa altura do papo, até que enfim começou a se falar na Reforma Protestante, iniciada pelo monge rebelde Martinho Lutero. Quer dizer, deu a louca em Lutero em fixar na porta da Igreja várias "linhas de raciocínio", cutucando com agulha de vodu a Igreja Católica, através de suas 95 teses. Digamos que uma notícia daquela época se equipara com o lançamento de alguma bomba atômica em algum lugar desse continente. Lutero encadeou uma (risos) grande explosão. Ele realmente tem o meu respeito.  O vídeo termina e eu fico com a sensação de fazer um adendo ao youtuber: ele deveria ter pontuado o quanto é lastimável que do berço da igreja protestante e da distorcida igreja católica, gerou-se em nossa atualidade uma lavagem cerebral que ocorre em algumas igrejas featuring igrejas pentecostais, que beira ao ridículo e ao assustador.  Esses “pastores” nem precisariam adquirir o “método da nova teatralidade proposta por Antunes Filho”. São atores natos. Assim como a Igreja Católica, as igrejas evangélicas neo pentecostais se beneficiam da ignorância do povo.


Ah, e um fato curioso que aprendi na sabatina dos meninos: a reforma Protestante aconteceu no dia 31 de outubro de 1517. Ironia mórbida ou deliciosa coincidência? (risos)

E ótimo Halloween pra nós!



quarta-feira, 25 de outubro de 2017

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Dei uma olhada na agenda e só pepino para desenrolar. Me colei para resolver assuntos no banco. Passei na lanchonete de Romero, na esquina da minha casa. Sempre muito cortês, educado. Peguei um suco e um pão de queijo e saí correndo em direção ao subway. Mas continuava num estado vegetativo. Acordar antes das 10h são só para os fortes. Porque eu acordei às (risos) 12h30. Muito em slow motion, ainda. Só conseguia pensar em uma coisa de cada vez. No vagão, lotado de bípedes, não tinha como comer o breakfast. E as portas do inferno abertas, de tanta gente feia ao redor. Pensava estar na obra “As tentações de Santo Antão”, de Hyeronomius Bosch. Dêem um google, procurem esta obra e vcs saberão o que estou querendo explicitar. (risos)


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Para adentrar ao banco e chegar até Aleksandra - a assessora do meu gerente, o Pergolo (sim, nome de vinho barato), tive que entrar naquele “tubo de ressonância” para me encontrar com a moça. Vontade de simular um ataque cardíaco e dizendo, aos berros, que tenho marca-passo, que tinha cometido um engano ao passar pela porta giratória, não falta (isso tudo passa pela minha cabeça, çim - pra me divertir um pouco). Nos cumprimentamos e eu já fui direto aos dois assuntos que queria resolver. Meu cartão foi clonado e, para minha infelicidade,  durante meu período de férias. Conversei com Aleksa  apreensivo, pois precisaria dele para me virar nas viagens. Como já tínhamos nos conhecido durante minhas férias, ela conseguiu deixar o cartão comigo usando apenas o débito, apesar do cartão de crédito ter sido bloqueado pela Visa - para minha sorte, aliás. E o  melhor, ela já tinha pedido um cartão novo. Foi só assinar um papel e metade de meus problemas já estava resolvido. A outra metade - e por isso minha ida novamente ao banco -  foi uma compra indevida de algum hacker mediano que conseguiu rastrear meu cartão e fez uma compra de mais de 1000 reais nas Casas Bahia.  Até pra roubar o infeliz é simplório (risos). Aleksandra fez a contestação para a devolução do dinheiro.


           Nenhum texto alternativo automático disponível.


Com tudo solucionado, Aleksandra quis me empurrar goela abaixo alguns planos de “investimento”. Mas eu estava muito lento, sem paciência e pra piorar, ainda acordando. Ela começou a falar de forma descompassada, parecia que tinha se jogado  num “padê “(risos). Essas harpias de Vulcano são espertas, foram adestradas para conseguir construir a narrativa, em uma mesma frase e com muita agilidade de pensamento,  os benefícios do plano; o momento de questionamento, perguntando  se  você entendeu - sem a mínima vontade de te explicar do que se trata; e  já emendam com aquele sorriso de pin up: “é só assinar nas duas vias” (risos). Começou querendo me vender um convênio para compra de um carro, disse - com uma cara de bixa beeeem enjoada, que não me interessava. Ela me olhou, deu um sorriso e começou a falar do convênio...do carro...de novo. Juro que se meu olhar matasse, ela estaria um pó de mármore de desintegrada.  Sutilmente brinquei e perguntei se ela estava “colocada”. Como ela não conseguiu (risos) "decodificar" o que tinha perguntado, fui educado e  avisei-a desse deslize de não prestar atenção ao me vender o mesmo plano duas vezes. De forma mais britânica. Quer dizer: agradeci as propostas, disse que “iria pensar” e responderia por  email. Deu um sorriso e nos despedimos. Mas assim que virei as costas, ela deixou a letargia dela de lado e me gritou dizendo: “mas vc não tem meu email”! Quase que olhei para trás para acenar, dizendo: “então fale com a minha mão”. Peguei minha bolsa e saí rapidamente em direção à avenida Paulista, para dar uma caminhada. E ouvindo Vaccines no talo.

  

segunda-feira, 23 de outubro de 2017






É realmente duro voltar à vida real depois de um período merecido de férias. E não tenho do que reclamar. Tirei os 30 dias, além das horas que tinha para compensar. O resultado foi desacelerar, despreocupar, me desligar por 42 dias. Me abster de rotinas, pessoas, dar um tempo a mim mesmo em não ter que lidar com o processo contínuo da vida decadente que temos. A cada dia que passa, tenho a sensação de ter menos tempo para cuidar de mim. Nos impõem um tempo mínimo para respirar, cuidar de nós, o que significa que férias é o mínimo prazer adquirido para desfrutarmos. E o que me restou fazer, além de viajar, foi intercalar o roteiro de viagem com um breve descanso pela Pauliceia. Nunca tinha ficado em São Paulo durante minhas férias, mas confesso que foi prazeroso chegar ao ponto de ficar na minha cama, ouvindo um disco, lendo um bom livro ou ficar sem fazer absolutamente nada, bem Marília Gabriela. Sem saber de notícias, me desligar por completo. Mas isso ficou na vontade porque na prática não conseguia deixar de acompanhar os rumos do país e desse caótico mundo. Então eu decidi assistir a noticiários mais manipuladores da informação: notícia relatada = credibilidade nenhuma. Quer dizer, funcionou pra mim como uma mera figuração. Ou aprendendo com eles a (risos) "nova teatralidade" proposta por Antunes Filho.  isso foi uma forma de desligar, não?




Fiz 3 viagens maravilhosas que pretendo relatar aqui no blog (risos) doa a quem doer. Na verdade, seriam 4 mas eu não contabilizo minha ida a Ribeirão Preto – cidade onde nasci, cresci e não tenho saudade nenhuma. E olha que consegui sobreviver a 5 dias de calor intenso e sem atrativo nenhum pra fazer. Consegui ver algumas amigas e levei minha mãe ao cinema. Mas sobre isso eu conto depois.

Priorizei nas férias conhecer lugares desconhecidos. Optei por Jalapão, em Tocantins e Chapada das Mesas, no Maranhão. Mas queria incluir algum lugar na região Sul do país. Deixei o sul do país de nossos (risos) irmãos separatistas, de escanteio por anos. Decidi fazer um tour pelo Paraná, com paradas em Curitiba, Morretes - num superestimado passeio de trem; Paranaguá – registrei  fotos da bela arquitetura de uma das cidades mais antigas do país; e Ilha do Mel sem muita empolgação.Tem a sua beleza, claro, mas não me surprendeu. Lugares de belas paisagens, preços razoáveis e um povo incrivelmente caricato (sim, isso é um sarcasmo). Preguiça inana deles.



Os tocantinenses esbanjaram simpatia. Os maranhenses agiam primeiramente de forma desconfiada, pareciam que eles nunca tinham visto uma "mariposa do cerrado" (risos). Mas depois eles "relaxavam o esfíncter". Nesse período todo conheci pessoas bonitas, equivocadas, burras, insossas, limítrofes, interessantes, atraentes, preconceituosas, gostosas, que de alguma forma, me ensinaram a entende-las  e não julgá-las. Foi um exercício interessante de se fazer, mas que me fez despendiar muita energia (risos).  Acho que já fiz meu jejum para a Quaresma de 2018.