sexta-feira, 31 de outubro de 2014



Metrô, a dor e a delícia de ser o que é. Você entra no vagão, vê todo mundo a sua volta e ao mesmo tempo, não vê ninguém. Todos conectados com o seu “mundo interior”. Fico aliviado quando encontro pessoas sentadas, lendo um bom livro (ou não), em vez de ficarem escravizadas com seus celulares. Estou em pé, lendo “Diários de Andy Warhol” e percebo uma criança na faixa dos seus 5 anos, hipnotizado pela minha mochila. Ele estava olhando os bottoms que coloquei em minha bolsa. Assim que consegui um lugar para me sentar, sorri e comecei a estabelecer uma conexão com ele. Mostrei mais de perto a mochila. Ele olhou para um dos bottoms e me perguntou “quem era o senhor sério, de óculos”. Quando ele apontou para a imagem de Freud, disse que era “meu avô”. Me perguntou se ainda estava vivo, pois parecia um fantasma (risos). Ele olhou para o bottom do Bowie, fez uma cara de estranhamento e me questionou se o Bowie era meu pai (risos). Ele deve ter feito a associação do Bowie com o óculos modesto que eu estava usando, vermelho, a la Bono Vox. Imaginem o óculos do Bono. Agora imaginem o óculos em uma versão beeeeeem mais veada do que o Bono usa (risos). Eu já tinha observado a cara de vegetariano incolor do menino olhando para mim, no momento em que entrei no metrô. Criança nessa fase tem uma espontaneidade impressionante.



Saindo da estação Belém, uma colega me ligou desesperada. Disse, com uma voz pseudo embargada que está produzindo um evento, que eu nem me lembro qual é. Pelo que me recordo, é uma festa sobre algo, com celebridades do mundo televisivo. Estava preocupada, pois muitos ainda não tinham confirmado presença. Bem, eu nem quis perguntar quem eram as tais celebridades. Tive medo do que iria ouvir. Mas pelo que ela falou por cima, a fauna estava bem representada (risos). Como ela estava dramatizando muito e eu queria cortar logo o cordão umbilical da conversa, disse para ela não se preocupar. Caso ela precisasse de um suporte, sugeri para ela contactar a Preta Gil. A melhor coadjuvante de celebridade de figuração que conheço. Só serve para preencher espaço.


Nesses gracejos que a gente recebe pra colorir o dia, um querido colega me enviou um vídeo, lembrando de uma conversa que tivemos dias atrás. Tinha comentado que estava escutando muita música dos anos 70. Aí ele me manda um vídeo da Vanusa cantando Evita. O visual dela estava sofrível, parecia que ela estava vestida de saco de guardar defunto do IML (risos). Mas sabe o que me deixou mais surpreso? Ela cantou sem teleprompter! (risos). Adoro sacanagem maquiada.

Ah, e vegetarianos: me perdoem pela redundância usada no texto (risos). 

segunda-feira, 27 de outubro de 2014



Equívocos, um mal necessário para padecer no Paraíso. Estava dando uma olhada no Instagram para prestigiar e curtir a foto de alguns amigos. Um querido postou uma foto sua junto com a sua mulher, alegres e sorridentes, como se estivessem numa lua-de-mel constante. Eles foram fazer uma viagem para um país da América do Sul. Acho que era no Uruguai. Um casal lindo. Mas analisando com mais atenção, me atentei ao lugar onde eles registraram o seu momento ternura e comecei a ter risadas malignas mentais. Quer dizer, você viaja para um país diferente do seu, com lugares interessantes a mostrar, como a beleza de suas praças e monumentos e eles postam uma foto em um shopping (risos)? Pelo menos não tiraram fotos carregando sacolas de compras.


Dias atrás, fui com Carlito lanchar na pizzaria Ideal. Comentava com ele sobre uma série de exames que tinha feito para verificar se estava tudo nos conformes. Ele perguntou se eu estava temeroso. E eu respondi que lógico que estava apreensivo. Ele me confidenciou que nunca tinha feito check up para saber da saúde. Isso porque ele é bem mais velho que eu. Disse que não queria saber se tinha algo. Pensando no quanto achei equivocado da parte dele e o quanto me incomoda a inércia das pessoas, decidi ligar o meu desfibrilador verbal para “acordar o paciente”. Aí eu falei para ele pensar sob essa ótica: com o hábito de não fazer exames, de repente começa a sentir algo e obrigatoriamente vai ao médico, que pede pra você fazer exames e daí você descobre que tem um tumor que já corroeu metade do seu corpo. Pensei por um breve momento se peguei pesado. Com a cara que Carlito fez, de refugiado da Palestina, decidi amenizar. Terminei meu raciocínio concluindo que, com a vida que levamos, não vale a pena terminarmos dessa forma. Ele ficou um pouco perplexo, enquanto terminava de comer um pedaço da pizza de marguerita. Estava saborosa.


A exposição Made in...feito por brasileiros, que ficou um bom tempo em cartaz no Hospital Matarazzo, me causou um certo estranhamento. Fiquei um pouco incomodado com a forma que as pessoas apreciavam as obras parecendo um comboio de gado. Não prestavam atenção em nada. Acredito que se os monitores contratados exercessem de fato a sua função (o que não aconteceu) ficaria mais razoável. Mas o pior estava por vir. Entrei numa sala bem perfumada e vi uma moça uniformizada, bonita e cheia de charme. A princípio, pensei que se tratava de uma performance, quando a Barbie anoréxica abre sua boca e fala: “Bem vindo ao momento Natura” (risos). Para não perder a chance, dei corda e perguntei do que se tratava a performance. Ela me contou que eu poderia utilizar qualquer cor da linha de batons da “marca”, para eu poder deixar um beijo na parede. Não foi à toa que vários artistas declinaram do convite em participar da exposição. Exposição com cara de varejão. Realmente, o cúmulo do equívoco. 

quinta-feira, 23 de outubro de 2014


Roteiro cultural de fim de semana, pairando no ar. Me levantei, no último sábado, incentivado em fazer uma programação sem muita densidade. Soltinho e de preferência, sozinho. Queria me curtir um pouco. Perto do meu aparelho de som, alguns cds que tenho escutado sem parar. Por isso eu os deixo bem próximos. Minha audição, atualmente - fora a música clássica que sempre ouço, tem sido os anos 70. A década do desbunde, da transgressão estética e sonora, capitaneada pelo necessário movimento de contra cultura no final dos anos 60. E mais uma vez, foi com ela que abri bem o meu dia




Bethânia sabiamente já disse sobre a voz de Gal: um cristal. Analisando a obra desse Cristal muito bem lapidado, com discos ousados, onde ela pôde extravasar sua densidade vocal, ela lançou em 1974 o álbum “Cantar”, uma preciosidade joãogilbertiana. Fico pensando se Gal realmente tem a noção do tamanho de sua relevância evolutiva e revolutiva na música brasileira. Além de sua interpretação, com um repertório sofisticado, ela se cercou e apresentou para nós, reles mortais, músicos extraordinários, como Lanny Gordin, Jards Macalé, Luís Melodia, entre tantos outros. Fora sua exuberância, sua beleza hipnotizante. Essa sim, deve ter tido uma senhora pomba gira 3D (risos).

Me arrumei e fui em direção à padoca para tomar meu café, folhear os cadernos de cultura e dar uma olhada no Guia da Folha para traçar meu destino no fim de semana. Com o filtro no mode on, saí para pegar o metrô. Em direção à estação República, mudei de ideia e fui a um ponto de ônibus, na rua Consolação. O metrô tem estado lotado até no sábado. Como eu não estava a fim de ver o circo de horrores (já que eu vejo em dias úteis, nos vagões), optei em pegar um “bumba”. Apesar da falta de opção visual, queria sentir um vento em minha cara e contemplar o entorno. No caminho, passei por um gringo lindo, mas bem lesado. Tinha um cheiro forte de marijuana nele. Me embrulhou o estômago.

Me joguei na linha 875-A, sentei no fundo do bumba e continuei a ler os semanários de cultura. Na capa da Ilustrada, tive um choque de 220V: uma matéria sobre o lançamento de um livro sobre a influência e relevância musical de David Bowie. Olha a transgressão de novo, me perseguindo. De autoria de Peter Dogget, o livro - David Bowie: o homem que vendeu o mundo, passeia pela obra mais rica, revolucionária do Camaleão – os anos 70, analisando disco a disco. Estão notando a coincidência? Conspiração a favor é um bem necessário à minha saúde. E Bowie dispensa comentários. Para falar sobre ele, seria necessário no mínimo uns cinco textos para louvar sua existência na cultura e em minha vida. Dogget afirma que Bowie foi o artista mais polêmico, transgressor e revolucionário entre todos os artistas nos anos 70. Palavra de um grande pesquisador da cultura pop.

Segunda boa e agradável surpresa do dia: assim que o ônibus entrou na Avenida Paulista e eu ainda devorando a matéria sobre Lord David, vi uma legião de motoqueiros com suas Harley-Davidson cortando a avenida. Meu olhar fixou-se neles, dando uma pausa em Bowie, para eu ter uma bela contemplação visual. Enquanto o ônibus atravessava a avenida, a legião de motoqueiros continuava. Numa cidade em aceleração constante como Sampa, foi bonito ver pessoas nas calçadas parando para ver o “desfile”. Centenas de motos...a caminho de Neverland.

Desci na Avenida Domingos de Morais, um ponto antes do que eu deveria descer. Com o sol latente que estava, fui caminhando pela sombra até chegar numa travessa que teria que passar para chegar ao MUBA – Museu de Belas Artes, na Vila Mariana. Tinha visto no Google Maps que deveria entrar na Capitão Cavalcanti. Quando entrei na travessa, uma casa com arquitetura dos anos 70 (oi?) com um som alto, para todo o mundo ouvir. E adivinha qual era a música? Dica: um clássico dos anos 70 (risos)


O caminho até o MUBA foi uma atração à parte. Casas incríveis, com uma bela construção arquitetônica, fora a quantidade de árvores cercando esses casarões antigos. Enquanto me distanciava do apelo sonoro dos Bee Gees e me aproximando do final de meu trajeto por essa travessa encantada, voltei a ficar com o pé no chão, para chegar, enfim, ao Museu de Belas Artes. No cardápio cultural, Lothar Charoux com a exposição Razão e Sensibilidade. Austríaco, como Mozart. Já contou pontos a seu favor. Pela minha humilde percepção, notei que o artista cria e realiza suas obras, influenciado pelo expressionismo. Fiquei horas no museu, meditando em suas inquietações. Aproveitei e passei no Instituto de Arte Contemporânea, ao lado, para ver o acervo que eles possuem do Sérvulo Esmeraldo. Salve o resgate da nossa memória cultural! 

Pra quem não conhece a obra de Lothar Charoux e nem o MUBA, aconselho ir ao museu para desbravar sua obra. O metrô mais próximo é o Vila Mariana. Ah, e o trajeto da travessa Capitão Cavalcanti, com suas casas belas e imponentes estão incluídos no pacote.

quarta-feira, 22 de outubro de 2014


Depois da lavada de alma que tive, com o espetáculo “Irmãos de Sangue” (leiam texto que escrevi sobre a peça. Ainda dá tempo de assistir e prestigiar um bom espetáculo:http://omundodelira.blogspot.com.br/2014/10/depois-de-muito-tempo-sem-motivacao.html), Marquinhos estava nos aguardando para continuarmos nossa epopeia dionisíaca pela noite paulistana. Até mesmo porque eu precisava me recompor e tomar “uns bons drink”. Marquinhos estava nos aguardando num bar, quase em frente ao Sesc Belenzinho. Lugar inusitado, com um nome clichê, diga-se de passagem: Boutique Vintage Brechó e Bar (http://vejasp.abril.com.br/estabelecimento/boutique-vintage-brecho-bar) .  Uma cor no meio do cinza, que é a região da Quarta Parada. Sim, é esse o nome do bairro. Eu sempre complemento que o nome do bairro deveria ser Quarta Parada Respiratória (risos) de tão feio e nebuloso que é.

O lugar escolhido para darmos start não poderia ter sido mais propício. Uma ambientação que a princípio causa um estranhamento pela quantidade de coisas que envolvem o lugar. Você tem a sensação de que tudo está poluído demais. Ao mesmo tempo que é um bar, ele também é um brechó, com uma ambientação inspirada em algum cabaré, em versão light. Muita coisa retrô. Muito vintage. E tem também shows, com uma programação variada a cada dia. Tinha um conjunto se apresentando. Eles tocavam tão bem, que eu nem prestei atenção.

Marquinhos nos aguardava numa mesinha. Sentamos e começamos a papear. Pedi uma caipirinha. Fomos atendidos por uma bee estilo babydol, bem novinha e bacana. Ela estava com um chapéu que me fez lembrar na hora do Boy George. Aí eu só chamava ela de Boy George (risos). Ela foi uma querida quando veio nos dizer que o sofá estava disponível, caso a gente quisesse ficar mais à vontade. Ficamos conversando sobre o impacto do espetáculo por um bom tempo. E depois de tomarmos alguns drinks, a conversa ficou mais papo cabeça. E mais hilária. Ficamos observando a fauna em volta. Pessoas interessantes, mas não a ponto de “elaborar um texto” pra ver se fisgávamos algo. Tinha um casal sentado ao nosso lado. Beeeem feios (risos). Toda a vez que terminávamos um assunto, olhávamos para eles e falávamos o mantra: “que casal lindo, gente”. E isso foi em processo contínuo até sairmos de lá. Depois de um certo tempo, me familiarizei com o bar. Estava super à vontade, papeando com pessoas queridas e sendo muito bem atendido.

E quem disse que a noite terminou? Ficamos tão animados com o tricô feito, que decidimos ir para outro lugar. A opção? Rua Augusta. Deus, como fiquei com receio de voltar para lá. A Pomba Gira 3D estava mesmo me rodeando (risos). Mas não me fiz de rogado e topei ir. Ricardo e eu estávamos bem “soltinhas”. Gloriette e Marquinhos colocaram Elis Regina no setlist. Ouvir “Mucuripe” e vendo a paisagem urbana decadente e ao mesmo tempo, de uma beleza peculiar, na turbulenta São Paulo, foi catalisador.



E chegamos na rua Augusta. A Babilônia Caída Contemporânea. Mal saímos do carro e Ricardo foi abordado por um grupo de jovens, que estavam bebendo e se divertindo nas proximidades. Do nada, veio um bofe e deu um beijo em Ricardo e em mim. Deus, como faz falta pessoas desprovidas de preconceito. Mas isso acontece no mundo possível que é a Augusta. Estávamos bem dispostos a arranhar a cara na calçada. A-do-ro fazer “pesquisa de campo” na rua. E a Augusta é ideal para isso. Mas achei melhor guardar a pomba e me jogar em algo mais tranquilo. No caminho para um barzinho, que ainda estava aberto, vi um artista vendendo umas pinturas. Comecei a ver, quando me deparei com a figura de um tucano, pintada por ele. Aí eu gritei: “Gente, o Aécio em plena Augusta! Olha o Aécio (risos)”. E só abrindo parênteses: Aécio iria adorar a Augusta. O pintor fechou a cara na hora. Deduzo que ele goste da "Vilma" (risos). Entrou um bofe, militante (e chato) querendo saber se éramos tucanos. E conversar sobre eleição às 3 da manhã? Só com muito Prozac. Ricardo estabeleceu uma conversa com ele. Sou a favor de uma boa discussão. Mas não a ponto de alguém jogar em seu texto uma indução para que você vote em determinado candidato. Entrei no bar e vi uma porção de garçons bonitos. Mas achei melhor trancar a pomba e ficar na minha. Ricardo entrou em seguida e viu o barman e já fez a sua exaltação chamando ele de “entidade”. Ele usava uma espécie de turbante. Era de chamar muito a atenção. Pena que quem nos atendeu era um dos mais feinhos. Mas uma graça de pessoa. Tomei meu Cosmopolitan e ficamos tagarelando até entrarmos no assunto...política..de novo. Foi uma conversa um tanto calorosa para o horário e decidi estabelecer conexão com um casal que estava ao lado de nossa mesa. Já tinha visto eles se beijando loucamente. E me deu vontade, sabe? (risos). Para estabelecer um contato, eu caí sem querer (risos) pra pegar minha bolsa e o gentil cavalheiro me segurou. Começamos a conversar e o papo foi super agradável. Ele é soldado. E ela...bem, uma reles mulher. Daquele tipo bonita, porém burrinha. Com comprovação de diploma (risos). Um perfil que todo o bofe que se preza gosta. Falamos de viagens e dei umas dicas ao casal. Por fim ele chegou a me convidar, junto com sua namorada, para irmos a outro lugar. Mas parafraseando uma canção interpretada por Bethânia...”assustada, eu disse não”. Senti uma vibe boa no casal, mas depois de um certo hiato sem sair à noite, o melhor é você se permitir aos poucos. A maturidade da idade te ajuda a fica com o pé no chão. E eu consegui passar no teste.


terça-feira, 21 de outubro de 2014


Depois de muito tempo sem motivação alguma para desbravar a noite paulistana, o acaso pediu licença para me mostrar que ela – soturna, bucólica e imprevisível, deu uma pequena melhorada. Combinei com Ricardo de irmos assistir Irmãos de Sangue, com a companhia Dos a Deux, em cartaz no Sesc Belenzinho. Cheguei um pouco antes, peguei meus convites e fiquei aguardando. No saguão do Teatro, vi o ator Rodrigo Matheus, que continua muy guapo. Eu o conheci em uma montagem de Prometeu Acorrentado, no Teatro de Arena, em Ribeirão Preto. Me lembro de ter ficado de boca aberta em ver todo o esforço corporal do ator, que ficou preso em uma corrente amarrada a um carro de corpo de bombeiros. Sua interpretação foi impecável. Me impressionou. Aproveitei essa cena de minha memória afetiva para “homenageá-lo” depois que vi sua peça (risos). Depois desse rápido flash, Ricardo chegou. Cumprimentou seus colegas da classe artística. Me disse que aguardava sua amiga Gloriette, que também iria assistir a peça. Quando Gloriette chegou, me lembrei que a conhecia há muito tempo. E ela também se lembrou de mim. A noite só estava começando.


O espetáculo durou quase duas horas, mas seguindo a cartilha de uma professora de filosofia que tive na faculdade – “o tempo não existe” – tive a sensação de ter ficado pouco tempo dentro do universo afetivo proposto pela trupe. A peça narra, sob uma narrativa bem melancólica, o nascimento e sepultamento de nossa memória afetiva, retratando o período nostálgico de nossa infância. Nessa colcha de retalhos tão bem costurada, remeti aos meus tempos de criança, onde tínhamos uma orientação da necessidade de vivermos no coletivo. A necessidade de brincar; de competir com seus irmãos a atenção de sua mãe; a dificuldade de se lidar com um “não” como resposta. E todas essas sensações, estimuladas pela minha memória, impulsionada pela peça. Detalhe: não há nenhum diálogo no espetáculo. Ficamos tocados. Me lembro de Gloriette falando da lembrança de seus pais e eu codifiquei bem sua sensibilidade. Nossos pais são nossa base e a peça me fez reforçar que meus pais estão no “começo do fim”. Foi dolorido pensar nessa questão. Durante boa parte de nossa vida, pensamos nessa questão como uma hipótese. Mas a peça nos faz acordar para deixar claro que a sugestiva hipótese que colocamos, como mecanismo de defesa para nossa perda, é fato. E tudo visualizado de forma tão poética, que doeu menos do que eu pensava. O grupo soube colocar esses assuntos com muita delicadeza, com muita sensibilidade artística e estética. Término do espetáculo, pausa para meus sais. Ainda bem que eles serviram um prosecco depois. Cumprimentamos a trupe e os parabenizei pela lavada na minha alma, que eles deram. Ficamos papeando, quando Gloriette recebeu um whatsapp de seu marido Marquinhos. Ele estava nos aguardando em um bar estilo cabaré, quase em frente ao Sesc Belenzinho. E a noite estava apenas começando.

Quer saber mais sobre a peça? Então corra. O espetáculo ficará em cartaz somente até o próximo fim de semana. Prestigiem. E se joguem.




segunda-feira, 20 de outubro de 2014


O bom de se retomar a vida gastronômica é, além do prazer de comer bem, poder colocar o tricô e o bordado em dia com amigos. Lógico que bom atendimento, ambiente do lugar, uma boa carta de vinhos e por último, mas não menos importante, a comida são critérios essenciais para gozar de uma noite prazerosa ou, como preferir, um dia bem festivo. Fui com Nel semana passada conhecer um restaurante que, para mim, me surpreendeu pelos tópicos apresentados no começo desse texto. O nome, um tanto peculiar: Alma Cozinha.  Um lugar pequeno, mas acolhedor. Adorei o seu visual retrô. E a escolha do espaço para o restaurante não poderia ser mais acolhedor: uma garagem (risos). Assim que chegamos, fomos recepcionados pelo chef Ivan Achcar, um dos sócios do restaurante. Uma graça de pessoa. Ficamos instalados bem no fundo da "garagem", até para se ter uma visão melhor do lugar e das pessoas frequentadoras do ambiente. Sentamos ao lado de um casal que não estabelecia um diálogo sequer. Estavam no whatsapp. Nada contra quem usa o celular e seus artifícios tentadores, mas eu realmente acho deselegante você sair com alguém, para chegar no restaurante e a primeira coisa a se questionar com o garçom é: “Tem wi-fi?”. Ainda sou arcaico com a utilização exacerbada do celular, a ponto de você isolar seu amigo, ou colega, ou amante, que está em frente a você. Soou esquisito ver um casal de namorados num profundo tédio social ao nosso lado. Como estávamos animados, com uma conversa que iniciou no carro, continuamos o papo no restaurante. O assunto não poderia ter sido outro: política. E eu não via Nel há muito tempo. Eu estava com saudades das nossas conversas. O casal acabou se divertindo com nossa prosa.

O restaurante é bem agradável. A dinâmica é a seguinte: eles colocam 3 opções de entrada, prato principal e sobremesa a um preço médio de 55 Reais. Água vem de cortesia, mesmo em falta (risos). E a salada também. Ponto pra eles. Pedimos uma porção de bacalhau e definimos nossos pratos. Com o calor que estava, escolhemos um bom vinho branco português. Ótima relação custo benefício e bom atendimento. A comida estava bem saborosa. 
Caso se interessem e queiram conhecer, segue um link  com mais informações. Boa degustação. http://www1.folha.uol.com.br/comida/2014/02/1410622-alma-tem-boa-cozinha-informal-fora-da-rota-gastronomica-de-sp.shtml

domingo, 19 de outubro de 2014

Pausa no trabalho, um bem necessário. O horário de almoço tem propiciado momentos de ótima descontração. E quando se tem pessoas bem humoradas, de pensamento ágil, melhor ainda. Me lembrei de algumas pérolas de máxima santificante para compartilhar. Estávamos a caminho de almoçar na Margot, quando Val e Helô começaram a conversar sobre beleza, enquanto eu e Carlito estávamos atrás jogando pauta fora, por puro devaneio. Como eu tenho ouvido de tuberculoso, também ficava atento na conversa das meninas. Aguardando o semáforo abrir, Helô comentava que iria cortar o cabelo, quando Val perguntou se ela iria cortar na lua (minguante) que estava de passagem durante a semana  e começou a explicar como o cabelo ficaria caso ela cortasse nessa lua. Aí eu perguntei por que ela iria cortar o cabelo na lua minguante. Com uma precisão nórdica, Helô respondeu “Porque tanto faaaaz”. Que rapadura de doçura (risos).
Val comentou sobre uma matéria que saiu sobre o padre Marcelo Rossi. A Igreja Católica espionou o padre pop por dez anos. Quiseram desossar o coitado. Queriam descobrir, inclusive se ele era gay. Pra que? Pra convidar mais uma a ingressar o reduto episcopal? Aí nos lembramos das músicas com coreografias que ele fazia. E todos nós na mesa começamos a fazer (risos). Não sei o por que, mas acabamos nos lembrando de outro padre: Fabio de Melo. Foi natural a gente fazer uma comparação entre ambos. Perguntei se elas pegariam ele e pela cara vi-a-loira-do-banheiro delas, percebi que o padre Fabio não era o tipo que elas curtiam. Eu exclamei: “essa hóstia eu comia”. Carlito me lembrou que hóstia não se come. Mas no caso do padre garotão, eu abriria uma exceção (risos).
Vimos a chamada do Big Brother na TV. Impressionante como ainda se investe pesado nesse tipo de programa.   Mas as emissoras faturam muito em cima. Perguntei se alguém participaria de reality shows e a resposta, unânime, foi negativa. Também pudera. É uma concentração de gente medíocre. Dividi com eles, me imaginando em uma edição do programa, com aquela porção de gente nula à minha volta. Para perder o amigo e não perder a piada, Val nocauteou: “se você participasse de fato, você seria mais um medíocre no meio”. Bem feito pra mim. 
 Esquenta, da Regina Casé, também foi assunto. Val lembrou que a idéia inicial do programa era bem interessante. A celebração do mundo possível, a vida em comunidade. Mas o conceito, a princípio interessante, se perdeu durante aos anos. Eu não consigo ver. Primeiro que é uma gritaria desnecessária. Será que eles querem retratar que a comunidade fala nesse tom, um tanto quanto...elevado? Um preconceito maquiado, diga-se de passagem. Fora que não se tem mais assunto na condução do programa. Você vê todo mundo sentado, de repente todo mundo levanta pra dançar...samba. Aí senta-se, bate um dedo de prosa e todo mundo levanta pra dançar....samba....again. Esse processo contínuo me dá tontura. Em poucas palavras, o Esquenta nada mais é do que um mero churrasco na lage.
E pra segunda-feira que está chegando, pra que complicar?