quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015



Aqui na região da Vila Buarque - mas eu chamo carinhosamente de Baixo Higienópolis, a praticidade é um bem necessário e merecido. Encostado ao prédio onde moro, há duas farmácias. Hipocondríaco? Não é o caso. Mas é a minha primeira referência para tudo. Não sei dizer por que priorizo mentalmente farmácia. Mais um assunto a discutir na terapia.

Pois bem. Fora a farmácia, há 2 supermercados, 3 mercados, 1 varejão – ou hortifruti, como preferir. 3 bancas de jornais, vááááários butecos, bares e bons restaurantes. E uma igreja.  Mas o que o bairro tem mais a oferecer são as padarias. Quando faço roteiro cultural no fim de semana, tenho diversas opções a escolher. E como qualquer ser humano, eu tenho as minhas preferidas. E as que eu odeio. Chegando em casa cansado, suado, louco por uma ducha (de 5 minutos, ok?), tinha me esquecido de fazer compras. Meu apê estava vazio e eu não queria cair na tentação de pedir junkie food. Na pressa, fui na padoca mais próxima, quer dizer, na que eu detesto ir. Era a mais próxima, fazer o quê. Entrei, peguei meu cartão e fui comprar pão. O atendimento é tão de quinta. Um tipo de atendimento que a gente não merece ter. A menina que atende o balcão de frios e pães parece uma personagem de The Walking Dead: uma morta. Sem expressão alguma. Acabei de me lembrar que até briga entre chefe e funcionário eu presenciei. Os donos não possuem classe nenhuma. E adoram fingir que comem caviar. Pra arrotar jabá com farinha.

Peguei os pães que a “Gasparzinha com blenorragia” separou e, num rápido momento “Flash” a caminho do caixa, rapidamente para sair o quanto antes da padaria, vi um folheto grudado no vidro de apoio do caixa, com a máxima do dia.


Pois é. Essa foi a “promoção saudável” da semana. Não sabe onde fica a tal ”padaria”? Dê um goggle, se jogue e garanta, enquanto é tempo, o seu tumor. Realmente vergonhoso!


terça-feira, 10 de fevereiro de 2015



Na avalanche de péssimas notícias desde o começo do ano, tive um insight na minha cabeça e fiquei pensando que foi de uma relativa comoção o caso do traficante que estava preso na Indonésia e foi executado por entrar ao país munido de cocaína. Tem quer ter muito sangue frio para trabalhar com essa que eu chamo de “quimera satânica”. Acho pó uó. Mas o fato é que foi um assunto que se polarizou muito nas redes sociais. Aliás, como estamos repletos de analistas políticos no Facebook. Escrevem errado, erram qual termo usar, conjugam o verbo de forma errada, colocam crase onde não se deve colocar. Concordância verbal? Nem com vela de macumba na encruzilhada. Mas possuem a audácia de manter a pose de obra renascentista (risos) para dar sua “contribuição” à sociedade, opinando sobre esse ou aquele assunto. Somos muito arrogantes e não temos a humildade de ter postura de aprendiz.

Eu passo longe desse tipo de comentário, procuro me distrair e, por que não, me divertir, quando alguma celebridade “acha” sobre “algo”. A dita apresentadora de telejornal, a Raquel Cheirazade, em mais uma pérola dionisíaca para meus ouvidos, elogiou a postura do presidente da Indonésia com a pena de morte no país e indiretamente alfinetou a falta de “postura” da política brasileira nesse tipo de situação. Quer dizer então que ela gozou de emoção com o regime político inflexível do querido Joko Widodo? Então faça um favor pra evolução da espécie humana, Raquel:  se muda pra lá! (risos).


E falando em falta de “se mancol”, abriu um restaurante japonês perto do meu trabalho. Na verdade, o lugar é um tanto inusitado: o restaurante fica no posto de gasolina, na esquina da avenida Álvaro Ramos com a Radial Leste. É de abrir o apetite, não? Como eu não gosto de comida japonesa, para mim indifere. Quando vem a palavra “restaurante japonês” na minha mente, já sinto um cheiro de peixe morto boiando no mar há dias. Me dá um bolo no estômago, sabe? A questão é que o tal “japa” abriu suas portas com ares de boate gay do baixo Glicério. Simplesmente eles colocaram um som insuportável, um bate cabelo de peruca ensurdecedor para atrair a atenção. Mas acho que o dono do estabelecimento não chegou a fazer uma “pesquisa de campo” pelas proximidades do bairro. E, como assim, um restaurante dentro de um posto de gasolina? A que ponto chega a falta de bom senso das pessoas. Digo isso porque próximo ao posto e ao pulgueiro despejando toda aquela poluição sonora, tem um hospital. Será que o suíno empreendedor não se tocou que é essencial haver silêncio perto do hospital? De qual celeiro esse proprietário saiu? Chame atenção de outra forma! Eu, por exemplo, pegaria uns michês bombados, desses que fazem qualquer sacrifício por um bom cachê (risos) e os fantasiaria de algo que remetesse à cultura nissei. Cavaleiros do Zodíaco seria uma boa pedida. E criaria (risos) microbombas, em forma de Pokémon, caso alguma criança desse trabalho. Pra que aguentar a gritaria desses catarrentos? É só dar um bonequinho desses e...BUM..a dor de cabeça passou. Só acho uma pena uma pessoa como esse senhor (ou senhora, vai saber) equivocado, subestimar as pessoas em achar que elas não possuem know how para perceber que esse tipo de estratégia de marketing é de extremo mal gosto. Vamos ver até quando essa temakeria vai sobreviver. Pelas coisas que eu vi hoje, o restaurante fez sua inauguração em estado terminal. Foram várias bolas fora no mesmo dia.           


  

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015



Acordei no último domingo e já embarquei no vício frenético de dar uma lida nos noticiários pelo celular. Só que não. Entrei no facebook e para minha triste surpresa entra no feed de notícias uma foto do querido Amilcar M. Claro com a Sônia Braga, quando trabalhava como assistente de direção do filme “O Beijo da Mulher Aranha”, de Hector Babenco. Sua sobrinha noticiou seu falecimento pela rede. Ele realmente era um querido. Trabalhamos juntos na série “Teatro e Circunstância”, exibido pelo SescTV. Ele, junto com Sebastião Milaré, um expert em teatro e que faleceu recentemente, fez um belo mapeamento da produção teatral no Brasil. Muitas pessoas demonstraram o carinho que tinha por ele. Amilcar tinha descoberto um câncer há 6 meses, mas não quis fazer alarde sobre sua doença. Em uma última conversa que tivemos, pelo face, estava em Florianópolis e chegou a conversar sobre propostas. Mas a ideia ficou apenas na vontade. É triste sabermos que a morte é a única certeza que temos nessa vida. Dei uma lida nas homenagens carinhosas e fiz minha prece mental, pensando nos momentos agradáveis que passamos, nas várias reuniões de pauta que fizemos. A vida segue pra frente.

Saí para tomar um café e me deu um clique de sair um pouco da dieta. Resolvi ir na feira da Santa Cecília para comer pastel e tomar um caldo de cana. Passando por uma banca de revista, na minha leitura dinâmica de vasculhar algo de relevante nas revistas que ficam em exposição, leio  nesses semanários de fofoca que Antônia Fontenelle detona Regina Casé e Flavia Alessandra. E eu pergunto: quem é Antônia Fontenelle? E é bom registrar que Regina Casé ganhou o prêmio de melhor atriz no Festival Sundance. Antônia who?



Me jogando num pastel de carne, fui traçando o roteiro do dia. Perguntei para a atendente até que horas a barraca funcionava na feira e ela me disse “até daqui a pouco”. Dei uma risada e fiquei me questionando se ela tinha chupado alguma droga. Terminei de tomar meu caldo de cana e peguei o metrô com destino ao Centro Cultural São Paulo. Durante o trajeto até chegar ao CCSP, me deparo com vários haitianos pela cidade. Tão bonitos, tão joviais. Só acho uma pena eles serem tratados como crianças escravas chinesas, vendendo produtos genéricos nas estações de metrô.
E cheguei ao CCSP, o centro cultural mais gay friendly que conheço. A bicharada adora lá. Se não estão jogando RPG ou qualquer outro jogo, estão (risos) fazendo coreografias horríveis de música pop. Como elas conseguem absorver música de tão pouca qualidade? Mas é divertido vê-las brigando sobre quem terá mais espaço na coreografia. Elas juram que são parte do Circo du Soleil. Estão mais para uma versão "Parkinson" das Spice Girls.



Desci até a biblioteca para ver a exposição “Uma longa jornada”, onde fotógrafos retratam o sofrimento do povo palestino mediante à situações de fuga e desespero, por questões ligadas à guerra. Por causa da notícia da morte do Amilcar, eu potencializei a minha comoção com cada retrato, cada rosto sofrido, devastado pela guerra e pelo fundamentalismo religioso. E com o advento dessas facções extremistas crescendo, ganhando corpo no mundo, fiquei me perguntando até quando as pessoas continuariam sofrendo em nome de Alá. Subi até o jardim do CCSP para digerir a exposição. Decidi caminhar um pouco, em direção ao Centro Itaú Cultural, na Avenida Paulista.

O clima estava propício para caminhar. Friozinho gostoso de curtir em pleno verão. Quando estava quase chegando no Itaú Cultural, passei pela Casa das Rosas. E para meu (bom) espanto, Augusto dos Anjos é o protagonista do momento. O nome da exposição não poderia ser mais sugestivo: Esdrúxulo! 100 anos da morte de Augusto dos Anjos. Não deu para ignorar. Entrei de mergulho em sua obra doída, escatológica, com suas antíteses corroídas em torno de temas como a Morte. Com essa consciência da morte, tão escancarada em seus poemas, veio em minha mente a tão angustiada certeza da morte em nossas vidas.  Nada mais propício para o dia.



Não gostei muito da exposição A Arte da Lembrança, em cartaz no Itaú Cultural. A exposição é fotográfica, com nomes de peso, como Gilvan Barreto e Luiz Braga. Achei a curadoria um pouco equivocada. Algumas obras fugiam de fato ao assunto proposto pela exposição. Pelo menos, foi essa a minha leitura. Como me deu fome e não fiquei atraído pelas obras compostas do evento, fui almoçar, para pegar um cine mais tarde. O escolhido da vez foi Whiplash



Uma trama de 90 minutos muito bem costurada, com o início da história que se desenvolve bem durante seu percurso e conclui de forma brilhante o desfecho do filme. Me impressionou o filme não ter nenhuma “barriga” – aquela sensação de estar enrolando o espectador com assuntos irrelevantes, apenas para preencher espaço. A fotografia escura serviu para ilustrar com mais profundidade a tensão gerada entre os dois personagens do filme. A relação aluno ambicioso x professor obsessivo. E o mote da história é simples: um aluno que sonha em ser o melhor baterista de sua geração. J.K. Simmons está indicado na categoria de melhor ator coadjuvante, inclusive cotado para levar a estatueta. Para ser sincero, achei a atuação ok. Ele se beneficiou de um texto cheio de clichês para se sobressair. Particularmente, eu achei muito cômodo o trabalho de construção da personagem. O menino que faz o baterista, o ator Miles Temmer, foi a grande surpresa de Whiplash. E fazer um filme centrado apenas nos dois personagens – o resto não passou de mera figuração - e chamar a atenção do público em 90 minutos de filme não é tarefa fácil. Mérito da montagem e do diretor. Vale a pena assistir. 

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015




Assim que saí daquele “shopping” chamado Center 3, na Avenida Paulista, liguei meu celular. Afinal, faço questão de desligá-lo quando estou no cinema.  Vi um “e aí, bonita, que ce ta fazendo”? Era Evandro. Ou melhor, Dandra. Por sorte, peguei um ônibus na Paulista rapidamente para ir pra casa, curtindo a paisagem cinza e o que resta de uma boa arquitetura. Fui trocando mensagens com Dandra e ela estava com uma brasa no rabo para sair. E que eu fosse com ela. Titubeei um pouco e avisei que precisava descansar antes de sair. Era 22h30. Dandra estava pensando em sairmos por volta das 2h. Disse ok, mas reforcei que precisava descansar um pouco. Bordamos mais um pouco de palavras e nos despedimos. Fiquei pensativo se deveria ir ou não, pois já tem um bom tempo que não saio à noite. Voltei a dar uns pulos de lince ano passado, com amigos e foi ótimo (foi ótimo, sim. Dê uma lida - http://omundodelira.blogspot.com.br/2014/10/depois-da-lavada-de-alma-que-tive-com-o.html).  Cheguei em casa, conferi as contas a pagar em fevereiro, dei uma checada no whats e nas fotos postadas no insta. E não fui descansar. Continuei elétrico, mas comecei a me acalmar, assim que comecei a ficar pra lá do Mundo de Alice (risos). Dandra me ligou avisando que chegaria no máximo em 15 minutos. Tomei rapidamente a ducha, vesti uma calça que não usava há séculos e continua intacta e fiquei esperando o interfone ligar. Meu telefone residencial toca. Era o namorado de Dandra me pedindo gentilmente para descer. Mas ouvi a voz maldosa de Dandra gritando: “desce logo, piranha”! (risos). Me colei, regado a muito Roberto Cavalli e me joguei com as “meninas” na festa Ursound, no Hotel Cambridge.


Dandra deixou o carro nas proximidades do Hotel Cambridge. Compondo a turma, Afonso, Manu, Dandra, o namorado de Dandra e eu. Pegamos uma fila, mas ficamos pouco tempo nela. Nos divertimos muito com o circo de horrores que nos cercavam (risos). Uns arruaceiros passaram por perto querendo causar impressão, mas as beashas nem deram bola.

Entramos, pegamos a comanda e passamos por uma revista. O segurança era um menino mulato, daqueles bem marrentos. Eu o amei (risos). Eu e Manu passamos primeiro. Ele encrespou com Dandra, não sei por quê.  Fiquei tirando fotos.

                                          foto Hotel Cambridge

A pista de dança...bem, no geral foi razoável. Na verdade são duas pistas. A de cima tocava bate cabelo de travesti, ou seja, um vômito. Dandra quis me levar, mas assim que pisei gritei “Tchau”! e voltei para pista debaixo, com um DJ sofrível. Ele parecia aqueles caras que viveram a “era hippie na Praia Grande” (risos). Não sabia remixar as músicas. Na passagem de uma para outra, o compasso de ambas eram em velocidades diferentes. Então eu comecei a gritar, parafraseando a Heleninha Hoittman: “Toca um mambooo, disc-jóquei” (risos). E, pasmem, ele (risos) pedia para as pessoas na pista o aplaudirem. Será que alguém chegou a dar uma chacoalhada de realidade nele em dizer que na escala de evolução de um DJ, ele ainda é grama? Eu pedindo tanto uma luz, pra acabar o set list dele, pra que outro DJ entrasse logo...

E a luz veio. Apesar de algumas músicas boas para dançar, na média esse senhor só soube criar deslizes. E o grand finale foi colocar uma música, em mais uma passagem que faziam meus tímpanos gritarem a 9ª de Mahler, de tanta irritação. Só que a música começou a pular. Devia estar riscado o cd. E música riscada na pista, para um DJ, é um apedrejamento em praça pública no Irã. As bees começaram a vaiá-lo e sair da pista. Por sorte, ele tirou o cd riscado rapidamente e para pedir perdão, nada mais sugestivo para a ocasião. Escuta só:

O próximo DJ não foi lá essas coisas, mas pelo menos, um pouco menos inferior que o anterior. Abriu com Simply Red, “Come to my aid”. Depois não me lembro de mais nada (risos). Ficamos nós cinco num vão entre a pista e o bar. Vi um negão de quase dois metros, paquerando tudo e todos. E tinha michês também, com aqueles corpos esculturais a base de bomba. É espetar um alfinete neles e...BUM! Vai sair um monte de gás hélio. Voltamos a dançar e pintou a vontade de ir embora. Antes de sairmos, vi uma bixa bem baixinha, carregando sua coca-cola zero em direção do negão que comentei agora há pouco. Ela deu uma chegada nele e ficaram lá se amaciando. Dandra me perguntou se ela aguentaria a suposta potência do marmanjo de ébano. E aí eu respondi que sim, mas que seria sua primeira e única vez, já que de lá ela iria parar direto no IML (risos).


quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015


Depois da caminhada durante à tarde e um jantar regado a um bom vinho, achei que teria uma inana preguiça, mas continuei animado e resolvi pegar um cine. Só tinha duas opções no horário e eu acabei escolhendo Birdman.



Após o término do filme, me conscientizei de uma coisa: de que devia ter guardado mais energia e disposição para assisti-lo. O culto à decadência. A fotografia me fez ter a sensação de asco do ambiente da trama: um teatro da Broadway, marcando o retorno de uma "celebridade". Lembrem-se dessa palavra quando for assistir, na cena em que o protagonista - ou seria antagonista?  se degladia com a crítica de teatro em um pub. Ela é uma espécie de Bárbara Heliodora com botox e respirando o 1º Mundo. Gostei muito da “sensação” de ver o desenrolar da trama, tudo num lindo plano sequencia. Mas há um truque de efeito que nos faz pensar que é plano sequencia e, na verdade, não é (ou eu estou louco?). Eu confesso ter ficado com uma certa tontura, pela forma que a câmera se deslizava no sair de um personagem para entrada de outro. Garanto que Michael Keaton será lembrado por um filme de verdade. E não com aquelas bobeiras de Bettlejuice e Batman. Foi o Batman mais sem testosterona que presenciei. Até Adam West (risos) coloca esse franguinho no bolso. Aliás, o crédito de ter assistido esse bom filme é primeiramente do diretor, o visceral Alejandro Iñarratu. Quer ver o que o bonito já fez? Espia:

                                          Trailer do filme 21 gramas

Se ainda não viu, aproveite a dica. Se joga, Ariclê!

Voltando ao diretor, ele conseguiu retirar do elenco toda uma angústia necessária para eles exorcizarem seus anjos. Os demônios foram essenciais para compor a corrosão necessária aos atores com suas técnicas de relevância. Stanislavski que o diga. Eu vi angústia na fotografia. Naomi Watts foi um elixir. Apesar do pouco destaque da personagem no filme, ela consegue ter seu momento de arrebatamento. Prestem atenção numa cena em que ela contracena com Edward Norton, em um ensaio aberto que acontece antes do dia da estréia. A “deixa” é a ereção do personagem do Norton. Naomi passeia com destreza em suas nuances. Consegue o ponto exato de interpretação nas alterações de humor da moça. Ela foi soberba. E a forma bem trabalhada de Michael trabalhar seu tormento com seu alter ego, o super-heroi Birdman. O diretor soube mesclar momentos de fantasia da Disney com a amargura de Magnólia. Ele soube dar chance para todos brilharem. Emma Stone está ótima como a filha, que também é assistente de seu pai, vivido por Keaton. Bem afiada no humor ardiloso. Norton mostra que realmente é um dos melhores de sua geração. Aliás, o Oscar está bem mais disputado na categoria de ator e ator coadjuvante, feito quase inédito na história da Academia. Norton, Keaton e Emma mereceram a indicação. E Iñarritu, por enquanto, estou torcendo por você.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015


Fui bem recepcionado pela curadora da exposição “British Explorers”, no Centro Brasileiro Britânico (http://www.cbb.org.br/wps/portal/CBB). Seu nome é Patrícia. Quis pegar algumas informações antes, a respeito dos dois artistas contemplados. Ela me perguntou se eu queria fazer uma visita guiada. Eu agradeci gentilmente, mas disse que preferia contemplar sozinho as obras. Ela sorriu e disse: “você está certíssimo. Eu faria a mesma coisa”. Já ganhei o meu dia. Me perguntou o que fazia e eu respondi que trabalhava com produção cultural. Começamos a fazer um tricô e ela me contou que morou anos em Londres, mas que precisou vir para cá, por questões de saúde. Como Londres é uma cidade que faz sol apenas dois meses por ano, ela precisava de sol. E teve que voltar. Ela me disse que o filho dela quer voltar para Londres. “Bom para ele”, brinquei. Falamos de política e ela foi certeira: que as pessoas estão preocupadas demais com a briga do PT com o PSDB, mas ninguém se preocupa, de fato com os problemas do país. Concordei. Afinal, o interesse é mais relacionado com a polarização das ideologias partidárias. E nós, cidadãos, assistimos calados, em posição de yoga. Sabemos que estamos ferrados. Não quis deixá-la mais assustada e me despedi para ver a exposição. Paul Wright, como sempre, expressando os seus tormentos. A obra My cell me deixou arrepiado. Ainda estou digerindo o trabalho de Ilia. Preciso me informar melhor sobre ela.

                     My cell. Obra de Paul Wright.


De saída do CBB, Patrícia me chamou e quis pegar meus contatos. Falou que irá me convidar para a próxima vernissage e eu agradeci. Belo presente para ter esperança de terminar bem o dia. Assim que cheguei na rua Paes Leme, fiquei estarrecido com uma “aberração arquitetônica” construída ao lado do SESC Pinheiros. O supra sumo do mal gosto. Depois desse aborto visual, decidi entrar no SESC Pinheiros e para minha surpresa, minha amiga Helena estava encenando um espetáculo no hall de entrada da unidade. A peça é A bailarina e o palhaço. Ou será O palhaço e a bailarina? Whatever, acabei pegando o finalzinho da performance deles. São clowns. Aguardei eles tirarem fotos com as crianças. Eu as chamo carinhosamente de cobainhas (risos). Dei um abraço em Helena. Tenho muito orgulho dela. Ela e o marido, o Duba, criaram a concepção da comissão de frente da Gaviões da Fiel e estão confiantes para esse ano, na avenida. Colocamos o papo em dia. Falei que tinha recebido convite pra desfilar na Mocidade Alegre e ela foi super incentivadora. Comecei a conversar com o produtor dela também, o Ailton. O rosto dele me era familiar. Ele disse que me conhecia de algum lugar. E descobrimos que foi no CPT do Antunes, quando trabalhei no SESC Consolação. Ah, conhecemos também um colombiano, o Juan. Nos disse que saiu de seu país, entrou no Brasil e veio viajando de barco, de carro e (ufa!) de ônibus pelo Pará, todo o Nordeste – ou quase, até chegar em Sampa. Corajoso o menino. Foi ajudar o Duba na desmontagem, enquanto Helena descansava. Ela comentou que estava cansada e começou a contar uns causos antigos. Falou que uma vez foi brincar de jogo de dardos e chamou no público uma criança para ajudá-la. Foi um menino. E quando foram brincar de arremesso de dardo, sendo a criança a cobaia, ela (risos) acabou acertando o dardo no pintinho do moleque. E ela ainda comemorou. Fez um "EBA!" para a plateia, que não deve ter entendido nada. Então eu a consolei, dizendo para ela não se preocupar. Os pais do menino lhe agradeceriam pelo resto de sua vida, por não ter que pagar a cirurgia de fimose (risos) da criança.



Fui com Ailton até o metrô Faria Lima, para descer na Fradique. Nos adicionamos no Face. Ele me convidou para assistir uma peça que ele trabalha, “Chá das Cinco”. Acredito que eu vá dar uma conferida.


E a caminhada pela Fradique foi árdua. Camelei bastante, uns 15 minutos, para chegar e bater de cara com a Blau Projects fechada. Fiquei tão puto! Também pudera, tinha um bloco desfilando justamente no quarteirão da Blaus. Só me restou voltar, entrar na Livraria da Vila e comprar uns CDs de música clássica. Acabei acrescentando o último trabalho do Suede, o “Bloodsports". No retorno ao metrô Fradique, fui refletindo sobre o vácuo que a Blaus Project deixou, que acabei me lembrando sobre fazer uns cursos, como por exemplo um estudo mais profundo em História da Arte. Ter ido  ao CBB me lembrou que eu preciso voltar a aperfeiçoar o inglês. Durante o trajeto, com a cabeça borbulhando, pausa para uma boa taça de vinho e um gostoso galeto.

Suede - Bloodsports

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015


Acordei disposto a aproveitar bastante o dia. A temperatura em São Paulo caiu, em pleno verão. O sábado estava com um friozinho agradável, mesclado com um pouco de ar abafado. De uma certa  forma, acordei no pique de otimizar bem o tempo para um roteiro cultural. E para “abrir as mesas de trabalho” do meu saturday life´s, algo disposto a “quebrar tudo”.





Como é bom escutar "Nevermind" alto até o talo. Tomar uma ducha, ouvindo a voz cortante de Kurt Cobain suplicando: “entertain us”. Banho rápido, afinal estamos em contenção. Na  dúvida entre usar bermuda ou calça, optei pela segunda opção. E quando saí soltinho pela rua, me arrependi de colocar a calça. Whatever! Primeiro pit stop na padoca Bella Buarque. Estava com um pouco de pressa. Na verdade mais ansioso em fechar o roteiro, depois de uma prévia já feita na noite anterior, no Guia da Folha. Fui atendido por uma garçonete muito fofa, que até esqueci de memorizar o nome dela. Mas ela já havia me atendido e já sacou que eu sempre peço o mesmo pedido. Ela disse: “O de sempre”? E eu perguntei se ela se lembrava. Bingo! Disse categoricamente, como uma aspirante a miss: “Brioches na chapa com ovo estralado (risos) e suco de laranja batido com gelo no liquidificador.” E sorriu. Eu aplaudi e disse: Bravo! O casal ao lado, uns velhos já cheirando mofo, olharam sem entender nada. Duro foi ter que me concentrar na leitura, com a conversa rala entre eles. 


O que me chamou a atenção primeiramente foi o cinema. Claro que priorizei os filmes indicados ao Oscar. Vi que a Meryl Streep foi mais uma vez indicada. Faz o papel de uma bruxa, um filme de fábula. Isso significa que vou ter que ver essa chatice (risos). Incrível como os membros da Academia a amam. Se solta um peido, já é indicada.

Do cinema, pulei para exposição. Uma me interessou: A Arte da Lembrança, no Itaú Cultural. Mas queria fazer algo fora do circuito Paulista-Jardins. Aí li sobre a “British Explorers”, com obras de Paul Wright e Ilia Petrovic, uns dos queridinhos das artes plásticas britânicas. Como ainda não conhecia o Centro Brasileiro Britânico, local da exposição, resolvi arriscar. Enquanto pedia um expresso, após a retirada dos utensílios que usei para o breakfast, coloquei o GPS pra funcionar. Ah, só abrindo um parênteses: tem uma menininha atendente muito prestativa, mas meio estranha. Quando ela foi retirar o prato e os talheres que usei para meu lanche, ela olhou pra mim e disse: “obrigada” (risos). Ela faz isso sempre. Eu peço algo, ela traz e diz “obrigada”. Mas (risos) não sou eu que tenho que agradecer? Ela não me dá tempo.  E joga um olhar de refugiada da Palestina, sabe? É surreal. Pra minha sorte, o CBB, como é popularmente chamado, fica próximo ao SESC Pinheiros e, coincidentemente, li sobre outro lugar interessante pra se conhecer, também na região: a Blau Projects. Com o funcionamento do metrô Fradique, era meio caminho andado. Pronto: já estava traçado o roteiro do dia. E eu nem pensava que teria boas coincidências durante o percurso vespertino. Com o Ipod no randômico, tive boas surpresas no set list. Essa foi uma delas:





Do Metrô Santa Cecília para a linha 4 – Amarela, sentido Butantã. Trocando whatss com Helô e Nelson. Ele me perguntou, durante a semana, se eu não queria desfilar na Mocidade Alegre. Fiquei tentado, mas ainda estou pensando. Marília Pêra é o tema da escola desse ano. Ficarei na torcida. Quis combinar um almoço com Nelson, mas ele tinha compromissos no domingo. Quis saber de Helô se ela topava um cine, mas estava um pouco complicado pra ela. Decidi curtir o dia soltinho, me desprendendo do tempo e das pessoas. Descida no metrô Faria Lima e uma caminhadinha de 7 minutos até o CBB. Cantarolando o presente dado pelo Ipod randômico. E o roteiro estava só começando.